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14/12/2009 07:11

Em vilarejo, crianças são alfabetizadas pelos pais

Agência Brasil/ Isabela Vieira

Na varanda de casa, no alto da encosta de uma região conhecida como Saco das Anchovas, um pequeno vilarejo da região costeira de Paraty, a menina Júlia Gomes Silva dos Remédios, 9 anos, mostra seu caderno com as primeiras palavras que aprendeu a escrever com a mãe, uma dona de casa que completou a 4ª série do ensino fundamental.

A família da menina vive em uma tradicional comunidade caiçara, onde os barcos ainda são feitos de madeira e a principal fonte de renda é a pesca. Lá, há gerações esperam a chegada de uma escola, para qual até um terreno foi destinado.“Essas promessas são feitas em época de eleição. Depois, acaba tudo”, reclama o pescador Pedro dos Remédios, 45 anos, tio da menina.

De acordo com levantamento do Conselho Tutelar de Paraty, o Saco das Anchovas é uma das sete comunidades da costa nas quais cerca de 30 crianças de até 12 anos estão fora da escola. A pesquisa foi feita em julho e apresentada à prefeitura, que não se entende com o governo estadual para definir de quem é a responsabilidade por novas escolas ou pelo transporte escolar até a cidade.

Diante do problema, as crianças do Saco das Anchovas são alfabetizadas pelas mães. A dona de casa Joelma dos Remédios, 39 anos, mesmo só tendo concluído a 3º série do fundamental, ensinou letras e números aos nove filhos, atualmente, com idades entre 11 e 26 anos. Na mesa da cozinha, enquanto fazia bolo e café, conta que usava livros e cadernos que o marido Pedro, analfabeto, trazia de Paraty.

A dona de casa tem consciência que pode ensinar muito aos filhos e sobrinhos, mesmo sabendo pouco de matemática e português. Joelma reconhece, no entanto, que um professor tem mais condições de preparar as crianças. “Nem sempre a gente tem tempo para dar atenção. Tenho outras tarefas da casa, da horta, tem que ajudar o marido com o peixe. E também não sei muito para passar.Chega uma hora que não dá mais” .

A solução para comunidade, de acordo com as famílias, seria um professor que pudesse ficar no local ou passasse temporadas na comunidade, já que o acesso de barcos, às vezes, é prejudicado com as condições do mar, nem sempre favoráveis. “Não vamos mandar nossos filhos pequenos para cidade, não tem condição. Minha filha de 18 anos só saiu para casar. Se viesse um professor aqui, nem que fosse de 15 em 15 dias, uma vez na semana, seria bem melhor”, afirma a dona de casa.

Com uma pequena escola no vilarejo, o pai da menina Júlia, Cláudio dos Remédios, 38 anos, acredita que os adultos, cerca de dez moradores, a maioria de analfabetos, também poderia estudar. “Nasci aqui assim e vou ficando. Queria saber ler e escrever. Isso faz muita falta, principalmente para tirar um documento, resolver as coisas na cidade. Se tivesse um professor aqui, eu podia aprender também, mesmo que fosse à noite”.

“Não sabemos por que somos tão invisíveis, por que aqui não tem nem professor, nem escola, nem barco nem nada”, questiona.

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