Cassilândia, Quarta-feira, 30 de Setembro de 2020

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31/10/2003 15:37

Dia de Finados: Saudades.

Manoel Afonso

Carrego meus mortos no lado
esquerdo. Por isso ando meio
de banda. (Carlos Drummond
Andrade)


“Não chore agora Maria... porque vamos ter a vida inteira para chorar.” Nunca mais esqueci essa frase, do saudoso amigo Mamude, numa cena que ficou gravada em minha memória: o filho Samir alí morto e seus pais acariciando o seu rosto. Não me lembro de outra noite em que chovesse tanto sem parar, mas insuficiente para afugentar os amigos solidários daquela madrugada tão úmida e dolorida. A matriarca Dolores de Castro alí também firme , sem saber que no futuro passaria pela dolorosa experiência de enterrar um filho – o Arceli.

Voltando no tempo, lembro também do trauma sofrido pelo Nenzão Cigano, familiares e amigos, com a morte brutal do Gilberto - a exemplo do Samir – em plena flor da idade. Em todos os casos, a vida dos pais nunca mais foi a mesma, porque lhes foi arrancada um pedaço do próprio corpo e acabaram mutilados na alma.

O que falar da Ilma Costa – animada até os últimos momentos? A Ilma simbolizava a alegria de viver, de disposição de enfrentar as barreiras do dia a dia. Carismática e doce, tentou talvez aliviar a preocupação dos familiares, minimizando os efeitos da doença e seu tratamento. Esse coração de mãe da Adgmar tem aguentado o baque silenciosamente, como agüentou o coração da dona Picucha ao perder os filhos Mané e o José Pio. Ainda – e como chorou o coração da mãe do Vaildo! A dor da perda também suas marcas na casa e na alma do José Regióli, do Luiz Neto e da Erotildes. A solidariedade nestes casos é bem vinda, mas não conseguem aliviar, porque essa dor é pessoal – intransferível. Outra perda sentida na cidade foi do Vanderlan Moraes.

Quando recebo a notícia da morte de alguém de Cassilândia, voltamos logo ao passado, vendo o filme com cenas das quais esse ou aquele participou. Como não chorar a morte do Amauri “fotógrafo”? – nosso amigo, que batalhou tanto na profissão. Chegamos na mesma época, vi ele namorar, casar e criar seus filhos. Participamos de tantos momentos agradáveis no dia a dia da vida. Estivemos juntos no Rotary, no futeból, nas festas, nas campanhas eleitorais e nos bares da vida. Sacanagem! Logo agora que sua vida estava arrumada, os filhos estudando e precisando de seu apôio e ensinamentos.

A mesma exposição se aplica ao caso do Zé Adão. Logo ele – com toda aquela calma, sempre esticando o papo na sombra daquela árvore de sua loja, onde tinha uma cadeira de descanso para a gente atender ao seu convite. Parece que foi ontem em que ele conseguiu jogar futeból no time do Rotary em Paranaíba, a exemplo do Pio do Banco Real. Aliás – tenho uma foto deste time, onde o goleiro foi o Bizar. No último encontro nosso, ele falou-me que tinha ido visitar o Cesar Grinabold em Rio Preto e até justificou a compra do carro, segundo ele, para acomodar melhor as malas quando ia buscar sua filha e genro. Não se pode esquecer o detalhe: Amauri e Zé Adão sempre estiveram perto um do outro e foram chamados pelo Criador quase que na mesma época. São essas coincidências inexplicáveis. Aliás – não há como deixar de falar do Césare, esse italiano que chegou por aqui em janeiro de 1974, e que deu boas lições de vida para todos os seus amigos. Cesare – que havia perdido sua Inês, acabou morrendo em Rio Preto.

Com a mesma emoção que me toca quando falo em público, registro aqui as minhas dores com as perdas de tanta gente que faz parte de meu mundo, porque se elas não estão presentes fisicamente, andam sempre povoando nossos pensamento quando olhamos o nosso passado em Cassilândia. Daí, que a citação do grande poeta vem a calhar, porque com o passar dos anos, a tendência é que fiquemos ainda mais com saudades do ontem, das pessoas que viviam naquele tempo. Um dia – seremos todos finados.

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