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29/10/2007 07:22

Cristina Kirchner vence eleição na Argentina

Julio Cruz Neto/ABr

Buenos Aires (Argentina) - Cristina Kirchner será presidente da Argentina a partir do dia 10 de dezembro, quando toma posse. A candidata da Frente pela Vitória venceu a eleiçao realizada ontem (28). Com 71,42% das urnas apuradas, ela tinha 43,4% dos votos, contra 23,03% de Elisa Carrió (Coalizão Cívica) e 17,74% de Roberto Lavagna (Uma Nação Avançada).

Um candidato vence no primeiro turno quando obtém 45% dos votos ou então 40%, desde que tenha vantagem de dez pontos percentuais sobre o segundo colocado. Esta é a regra eleitoral desde 1994, quando os ex-presidentes Raul Alfonsín e Carlos Menem firmaram o Acordo de Olivos.

Principal candidata da oposição, Carrió relutou em reconhecer a derrota, que boa parte da imprensa argentina, baseada nas pesquisas de boca-de-urna, dava como certa desde as 19 horas (20 horas de Brasília), quando a votação foi encerrada. Só à 1h30 (2h30 de Brasília), Carrió veio a público afirmar que Cristina Kirchner é a vencedora.

Cristina será a segunda mulher a assumir o comando do país e a primeira a ser eleita presidente, já que Maria Estela Martinez de Perón, a Isabelita, só governou de 1974 a 1976 devido à morte do marido Juan Domingo Perón, pois era vice-presidente. É também inédito o fato de uma mulher substituir o marido (no caso, Nestor Kirchner) na presidência de um país.

Às 21h58 (22h58 de Brasília), com apenas 10% da apuração concluída, Cristina foi anunciada como presidente por seus correligionários e subiu ao parlatório. Àquela altura, tinha pouco mais de 42% dos votos. A presidente eleita começou seu discurso enfatizando a ampla vantagem sobre os demais candidatos.

“Ganhamos talvez com a maior diferença entre a primeira força e a segunda desde o advento da democracia”, disse, referindo-se ao período desde 1983, quando terminou a última ditadura militar do país.

Cristina mandou também um recado à oposição. “A todos que talvez, não se sabe por quê, por distintas razões, podem desqualificarnos nesse processo eleitoral, queremos estender a mão, porque é necessário reconstituir o tecido social dos argentinos”.

Durante o domingo, diversos candidatos, inclusive Elisa Carrió e Roberto Lavagna, denunciaram a ocorrência de irregularidades. Teriam sido prejudicados pelo desaparecimento de cédulas eleitorais de suas coligações. Às vésperas da eleição, a oposição anunciou uma contagem paralela conjunta dos votos para se precaver contra possíveis fraudes.

Cristina enfatizou em seu discurso a necessidade de “aprofundar as mudanças” dos últimos quatro anos, período em que Nestor Kirchner governou o país. Esta foi a tônica da campanha, de que muito foi feito e ainda há muito a fazer. É um argumento repetido à exaustão pelos admiradores do casal.

“Se em 2003 alguém retratasse essa Argentina que temos hoje, certamente o chamariam de demagogo”, disse Cristina, referindo-se ao ano em que Néstor assumiu o poder, com o país ainda abalado pela grave crise que teve seu ápice no final de 2001.

“O homem que hoje me acompanha, e foi o companheiro de toda a vida, assumiu a presidência em circunstâncias muito diferentes, econômicas, sociais e também políticas e institucionais, porque o fez com escasso nível de participação popular”, afirmou.

Néstor foi eleito com menos de 23% em 2003. Cristina dirigiu-se de maneira específica às mulheres – disse ter uma “imensa responsabilidade” pelo gênero que representa – e aos jovens.

Ao final do discurso, apareceu no fundo do palco a mensagem “Na democracia, sempre ganhamos todos”. E uma chuva de papel picado azul e branco, cores da bandeira Argentina, caiu sobre o palco encerrando uma cerimônia festiva em que os presentes entoaram gritos de guerra, aplaudiram, cantaram, gritaram o nome de Nestor e emocionaram a nova presidente.

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