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03/06/2008 22:04

"Corumbá" é condenado a 23 anos de prisão

TJGO

Em sessão presidida pelo juiz Jesseir Coelho de Alcântara, o 1º Tribunal do Júri de Goiânia condenou hoje (3) o artesão José Vicente Matias, o Corumbá, a 23 anos de reclusão em regime inicialmente fechado, pelo assassinato da estudante Lidiayne Vieira Melo, ocorrido em janeiro de 2004,. Como esta é a primeira condenação dele, o artesão cumprirá a pena na Penitenciária Odenir Guimarães e ficará à disposição do Poder Judiciário do Maranhão (MA), onde responde por outros crimes. Foram acatadas, por unanimidade, as qualificadores de motivo torpe, uso de meio cruel (asfixia) e de recurso que impossibilitou a defesa da vitima.

Ao ser interrogado nesta manhã, por Jesseir, Corumbá disse que não gosta de ser chamado de artesão, mas de andarilho, pois tem o hábito de morar em diferentes lugares. Segundo relatou, conheceu a vítima três dias antes do fato, quando estava sentado em frente a um barracão que havia alugado, na Vila Mutirão II, e Lidiayne passou perguntando-lhe se ele fazia tatuagens. Diante da resposta afirmativa, os dois entraram para o interior da casa dele, onde Corumbá tatuou o corpo da estudante em várias partes.

O réu disse que nunca ingeriu bebida alcoólica, mas sempre usou muitas drogas, tendo chegado a ficar internado por 1, 6 ano em Maringá (PR), para tratamento. Segundo contou, Lidiayne lhe pagou o trabalho com maconha, uma vez que ela trazia 300 gramas da erva na bolsa. Ele admitiu que, no primeiro dia, os dois usaram drogas e tiveram relações sexuais. “À noite, adormeci e quando acordei, na manhã seguinte, a cabeça dela estava sobre meu corpo. Me assustei, peguei a cabeça e joguei com força em direção à parede”, afirmou.

Nada de demoníaco

Com colete a prova de balas, Corumbá revelou ao juiz que a versão que ele apresentou tanto à polícia quanto em juízo, de que recebeu ordens demoníacas para matar Lidiayne e decapitá-la, é falsa. “Falei aquilo orientado por pessoas que me disseram que era melhor dar uma de louco, já que o caso ganhou repercussão e o cerco estava se fechando contra mim”, assumiu. Questionado por Jesseir, disse não saber se ouve vozes ou se tem alucinações.

Ainda narrando o crime, Corumbá afirmou que após constatar a morte de Lidiayne, e sem se recordar o que houve, saiu da casa e andou durante todo o dia pelas ruas da cidade, pensando o que fazer. Ao retornar, cortou as pernas da estudante e acomodou seus membros e a cabeça em diferentes sacos para, em seguida, transportá-los em um carrinho de mão até um córrego localizado no bairro, onde os deixou. “No caminho, perdi a cabeça dela”, comentou, acrescentando que depois voltou para casa, limpou tudo, ficou por mais um mês e depois mudou-se para Pirenópolis, onde alugou um barracão para morar.

Crimes

Demonstrando calma e atenção, Corumbá assumiu cinco outros crimes. Disse que matou uma mulher a pauladas em Barreirinhas (MA) e outra a pedradas em Alcântara (MA); esfaqueou um casal de hippies em Lençóis (BA) - “o rapaz sobreviveu, mas a moça morreu” - e assassinou uma jovem em Três Marias (MG) porque, oito meses antes do fato ela havia lhe furtado “algumas coisas” em Guarapari (ES). Negou, no entanto, ser o responsável pela morte de uma israelense, ocorrida em Pirenópolis. Acusado de tê-la matado, ele disse apenas que os dois estavam em uma ribanceira de cerca de 40 metros de altura e que, em certo momento, ela se desequilibrou e caiu. O artesão afirmou ter seis filhos com três mulheres: dois deles moram em Goiás, três em Minas Gerais e um na França. (Patrícia Papini)

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