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11/04/2016 14:00

Como o cérebro define se uma criança será destra ou canhota?

180 Graus

 

Conforme as crianças vão ficando mais velhas, tendemos a privilegiar a mão direita para algumas tarefas, particularmente para escrita ou desenho. Uma criança geralmente é descrita como destra, canhota ou ambidestra, e essas nomenclaturas começam a ser utilizadas quando elas estão desenvolvendo habilidades linguísticas - por volta dos quatro anos. É uma característica que persiste ao longo da vida.

Agora nós sabemos o que a mão com a qual uma criança escreve tem algo a dizer sobre a organização e a função em seu cérebro.

Os hemisférios esquerdo e direito do cérebro controlam a coordenação motora dos lados opostos do corpo. Ainda assim, as metades esquerda e direita do cérebros não têm controle igual de diferentes tipos de comportamento, o que resulta em preferência de uma mão em relação à outra para algumas tarefas. O domínio de um hemisfério em relação em alguns comportamentos é chamado de lateralização cerebral.

Cientistas acreditam que existem três motivos claros pelos quais ocorre a lateralização cerebral. A primeira delas é o fato de um hemisfério tomar o controle de um processo diminui as chances de ambos os hemisférios competirem para controlar as reações. Isso também permite que dois processos diferentes, como linguagem e atenção, operem em paralelo entre dois hemisférios.

Para a maioria das pessoas, o hemisfério esquerdo do cérebro é o dominante usado para o discurso. E a mesma região do hemisfério esquerdo controla as ações das mãos.

Como resultado, a maior parte da população humana (cerca de 90%) é destra quando usa ferramentas como canetas e quando fazem gestos. Psicólogos evolucionistas especulam que o uso de ferramentas e gestos manuais tiveram um papel importante na evolução do discurso humano.

Uma teoria sugere que como a visão é o nosso sentido primário, a comunicação humana emergiu em forma de gestos manuais. Conforme nos tornamos usuários mais sofisticados de ferramentas, era bem mais eficiente deixar nossas mãos livres para o uso desses objetos e transferir a comunicação para o discurso. As sequências estruturadas das ações manuais necessárias para fazer e usar ferramentas podem ter preparado o cérebro para a sintaxe linguística.

Para adquirir habilidades mais complexas como a linguagem, as crianças primeiro precisam desenvolver habilidades sensoriais e motoras básicas. Psicólogos desenvolvimentistas argumentam que capacidades motoras como a manipulação de objetos e conjuntos de gestos são necessários para os próximos desenvolvimentos de uma linguagem.

ESQUERDA, DIREITA OU AMBAS?

Até o começo do século XX, cientistas consideravam pessoas canhotas anormais. Era associado com um leque de disfunções no desenvolvimento, desde problemas de linguagem até distúrbios mentais. Por conta disso, muitas crianças canhotas dessa época eram forçadas a escrever com suas mãos direitas em um esforço para adestrá-las.

Hoje entendemos que a mão com a qual uma pessoa escreve não é uma simples característica binária (esquerda ou direita), e que, na verdade, existe uma variedade delas, de bem canhoto a a muito destro.

Conforme começam a desenvolver suas habilidades motoras, as crianças podem usar tanto a mão direita quanto a esquerda para ações simples, como pegar objetos, por exemplo. Isso porque as duas mãos conseguem realizar uma tarefa como essa. Ainda assim, para a maioria da população, tarefa mais complexas podem necessitar de propriedades mais especializadas do hemisfério esquerdo do cérebro. A maioria das crianças, por exemplo, escolhe a mão direita para escrever.

A habilidade se desenvolve com o tempo e se torna consistentemente destra conforme as crianças começam a realizar atividades mais complexas. Observar quais mãos as crianças usam para atividades motoras como a escrita podem nos indicar o quão bem os dois hemisférios desenvolveram suas capacidades de processamento especializadas.

Pesquisas recentes sugerem que crianças que são somente canhotas ou destras também possuem lateralização cerebral e produção linguística típica. Por outro lado, não ter uma mão dominante (ou ser ambidestro) costuma ser relacionado com desenvolvimento atípico das habilidades motoras e linguísticas.

Indivíduos ambidestros compõem entre 3 e 4% da população geral. O número cresce para uma média entre 17% a 47% nas populações com altos índices de autismo. Crianças autistas costumam apresentar diferenças motoras a partir dos sete meses de idade. Isso sugere que o autismo pode se apresentar e ser reconhecido logo no início do desenvolvimento de uma criança, e pode ter mais efeitos em outras funções cognitivas como a linguagem.

POR QUE É ÚTIL SABER QUAL MÃO A PESSOA UTILIZA?

Uma nova pesquisa na qual estou trabalhando considera como a mão que uma criança utiliza pode ser um marco do risco de desenvolvimento e de distúrbios linguísticos. Diagnósticos de autismo atuais tendem a ocorrer relativamente tarde, quando crianças falham em produzir e entender linguagem básica. Diagnósticos tardios podem limitar os benefícios que trazem as intervenções e terapias. O cérebro das crianças é flexível e os tipos certos de intervenção podem melhorar o desenvolvimento cognitivo e a saúde mental.

A mão que uma criança utiliza não é a única tendência das nossas habilidades motoras e da lateralização cerebral. A maior parte da população têm um hemisfério direito do cérebro que é dominante para respostas ao perigo. Isso significa que somos mais rápidos em reconhecer rostos e expressões ameaçadores quando eles aparecem do nosso lado esquerdo (no campo de visão esquerdo) em relação ao nosso lado direito. Isso foi demonstrado em uma variedade de estudos clássicos da psicologia nos quais adultos são mais rápidos em julgar quais são as imagens em que os rostos expressam emoções negativas quando elas são apresentadas pelo lado esquerdo do que do direito.

Mapear os caminhos do desenvolvimento dos vieses motores e das habilidades cognitivas nas crianças oferece uma nova forma de entendermos as relações entre a organização, a função e o comportamento cerebral.

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