Cassilândia, Sexta-feira, 25 de Maio de 2018

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03/03/2009 13:00

Com 20% dos abates suspensos, arroba desvaloriza

Fernanda Mathias, Campo Grande News

O processo de desvalorização da arroba bovina, desencadeado no começo do ano, acelerou com a suspensão dos abates pelas unidades do frigorífico Independência, em Anastácio e Nova Andradina. O consumidor já sente os reflexos, com acesso à carne mais barata nos açougues e supermercados.

Conforme dados do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada ), repassados pelo Sindicato Rural de Campo Grande, a arroba fechou nesta segunda-feira em R$ 69,88, desvalorização de 1% em relação à quinta-feira, quando o Independência suspendeu atividades em todo o País. O preço do bezerro teve retração superior a 2%, caindo de R$ 607,02 no dia 26 de fevereiro a R$ 592,64 ontem.

Desde o início do ano, a redução na cotação da arroba já passa dos 12%. Isso porque vários frigoríficos suspenderam as atividades. O baque maior, porém, veio com a paralisação do Independência. As duas plantas em Mato Grosso do Sul respondem por 1,8 mil abates diários, cerca de 20% dos abates totais do Estado.

Cautela – Com problemas de fluxo de caixa, o grupo Independência recorreu à proteção judicial, pedindo recuperação, que estabelece regras para negociar com os credores. Não há previsão de data para que as atividades sejam retomadas, mas o presidente da Famasul (Federação de Agricultura de Mato Grosso do Sul), Ademar Silva Júnior, alerta:

“É preciso cautela, porque rápido essa situação não se resolve. Será preciso se acomodar ao mercado sem a presença do Independência”. Para ele, é momento do pecuarista se proteger e vender o mínimo possível e manter o boi no pasto até os preços melhorarem. Ademar afirma que com a grande oferta de animais os frigoríficos terão de reduzir os preços da carne para poder escoar a mercadoria.

Carne mais barata – Nos supermercados, alguns cortes já sofreram redução de mais de 15%, segundo o presidente da Amas (Associação dos Supermercados de Mato Grosso do Sul), Adeilton Feliciano do Prado. Ele cita como exemplo o caso de cortes de primeira que eram vendidos por R$ 11,90 e hoje já são encontrados a R$ 9,99.

“Há uma diferença boa para o consumidor”, afirma. Ele teme, porém, que a baixa de preços ao pecuarista traga no futuro uma conseqüência ruim para o consumidor. “Nossa preocupação é com a estabilidade no preço. Não podemos matar o pecuarista porque depois acontece como em 2006, a alta vem de uma vez”, diz.

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