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11/11/2015 07:30

Censura ao cigarro joga cliente no meio da rua e coloca fumante contra bar

Naiane Mesquita, Campo Grande News
Em bares com coberturas, o fumante deve procurar a via pública para acender o cigarro (Foto: Fernando Antunes)Em bares com coberturas, o fumante deve procurar a via pública para acender o cigarro (Foto: Fernando Antunes)

 

Fumar tem causado dor de cabeça para quem frequenta os barzinhos de Campo Grande e também para os empresários da noite. Obrigados a se levantar da mesa para acender o cigarro, os clientes precisam ficar no canto da calçada e até na rua, dependendo do estabelecimento.

 

Já os proprietários reclamam que os fumantes insistem em algo que é proibido e pode gerar multa. Desde que até os fumódromos tiveram de ser abolidos, os dois lados vivem em pé de guerra.


A Lei 12.546, mais conhecida como Lei Antifumo, foi regulamentada há um ano, no dia 31 de maio de 2014, e entrou em vigor no mês de dezembro. O texto proíbe fumar cigarrilhas, charutos, cachimbos, narguilés e outros produtos em locais de uso coletivo, públicos ou privados, como halls e corredores de condomínios, restaurantes e clubes – mesmo que o ambiente esteja parcialmente isolado por parede, divisória, teto ou toldo.

No bar Mercearia, por exemplo, os clientes precisam se levantar devido a existência de um toldo em cima de algumas mesas. Mesmo assim, na área que não há cobertura, as pessoas já se acostumaram a levantar e se afastar do local para não perturbar quem não gosta de fumaça.

No Velfarre, as reclamações dos fumantes são rotina. Todos são orientados a se retirar do setor das mesas montadas do lado de fora do estabelecimento, mesmo sem a céu aberto, sem um toldo ou outra cobertura. Segundo um dos proprietários do bar, Rodrigo Hata, foi após a visita de um fiscal que a administração adotou essa medida.

“Uma vez um fiscal da Vigilância Sanitária fez um visita e explicou pra mim que se meus clientes estivessem sentados e fumando, ele teria que me multar. Desde então, se o fiscal falou, nós não vamos contrariar. Mas, tenho recebido muitas reclamações de clientes fumantes”, explica.


Um dos clientes que reclama é o advogado Rodrigo Flores Duarte, 36 anos, que há 16 fuma cigarro. “Antigamente existiam os fumódromos e agora foi proibido. Hoje você não pode fumar em locais cobertos, até se tiver toldo. Mas, estamos em um passeio comum e aqui não há cobertura. Eu estando em pé ou sentado não faz diferença, estou próximo das pessoas do mesmo jeito”, defende.

Para ele, nem os donos de bares, nem os clientes, buscam o seu direito. “Meu direito de fumar está assegurado. Muitas pessoas estão deixando de ir a lugares por causa dessas mudanças”, acredita.

Mas independente do que os fumantes acham, a multa pode realmente ser aplicada, porque o órgão que fiscaliza não aceita a fumaça em qualquer estabelecimento, coberto ou não.

Procurada pelo Lado B, a Vigilância Sanitária explica que os clientes devem se afastar da área onde estão as mesas para fumar, conforme a lei federal e a Lei municipal nº 150 de 30 de dezembro de 2009. "Essas leis seguem as normas da Anvisa que dizem que os malefícios do cigarro são ainda piores para os fumantes passivos. Seguimos essas leis e portanto, a orientação é que se houver um cliente fumando próximo as mesas, mesmo que em um ambiente parcialmente aberto, o estabelecimento deve ser autuado", afirma Lígia dos Santos Ruffi, chefe do serviço de fiscalização de alimentação da Vigilância Sanitária do município.

O correto é o bar orientar os clientes a se afastar do local onde são servidas comidas e bebidas e há clientes não fumantes. "A forma como será essa abordagem é decidida pelo bar, o que exigimos são as placas de proibido fumar", ressalta Lígia.


A estudante de Direito, Weila Castro Escobar, 20 anos, diz que levantar da mesa acaba sendo constrangedor. “Já sentamos aqui fora, bem na ponta e mesmo assim tenho que me levantar. Antes podia fumar e agora não pode mais. Um amigo que se levantou acabou tendo o celular furtado. Sinto isso não só no Velfarre, mas em outros bares também, desde a mudança da lei”, acredita.

Mesmo assim, ela admite que acha as mudanças corretas. “Para quem fuma é ruim, mas a gente acha que é certo. Em baladas você não tem opção mesmo, nem fumódromo existe mais”, explica.

Quem concorda com Weila são os não-fumantes. A enfermeira Karina Carvalho, 25 anos, diz que tem amigos que fumam e mesmo assim se incomoda com o cheiro da fumaça. “Quem não fuma é mais prejudicado, a fumaça faz mais mal. Fora que gruda no seu cabelo, na sua roupa, eu tenho amigos que fumam do meu lado, mas eu não gosto não”, diz.

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