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17/12/2018 09:40

Bancos se esquivam de responsabilidade sobre juros altos

Correio do Estado

 

Com a afirmação de que "os bancos não vão baixar os juros sozinhos", Octavio de Lazari, presidente do Bradesco, ecoou explicações da Febraban (federação de bancos) para as altas taxas cobradas de consumidores do país.

Em um livro de 164 páginas, a entidade lista suas explicações para os juros elevados e apresenta soluções que fariam com que caíssem.

Apenas 1 das 21 medidas está sob a alçada dos bancos, e apenas parcialmente. É a adoção do crediário com juros para diminuir o uso do parcelado sem juros. Segundo os bancos, há um subsídio cruzado no setor que faz com que os juros do rotativo sejam elevados.

Em sua página no Twitter, o ex-presidenciável Fernando Haddad (PT) ironizou o documento em que os bancos se esquivam da responsabilidade sobre os juros altos no Brasil. "Não é fácil ser banqueiro no Brasil', escreveu o petista.

Entre as demandas propostas pelas instituições financeiras, estão medidas que reduziriam a cobrança de impostos, regras mais simples para análise e recuperação de crédito e liberdade para cobrar tarifas, que hoje são limitadas pelo Banco Central.

A ofensiva se concentra em tentar destravar regulações que poderiam reduzir custos do banco sem afetar resultados. As grandes instituições entregam retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) de cerca de 20% a seus acionistas.

"Para manter o ROE, os bancos não vão fazer mea-culpa e abrir mão de resultado presente por um mais consistente de longo prazo", diz Wellington Lopes de Souza, professor de finanças do Ibmec-SP.

O spread é a receita bruta de um banco, a diferença entre o custo para captar dinheiro e o juro cobrado em um empréstimo concedido a um cliente.

No sistema bancário, a taxa média é de 24,6% ao ano, e o custo de captação, 6,6%. O spread, portanto, é de 18%, segundo dados do Banco Central referentes a outubro.

No ano passado, o BC fez o cálculo da divisão do spread e considerou que a margem financeira (receita líquida) é menos de 10% do spread.

"[O livro] É quase para justificar para a população que, na pizza de distribuição do spread, não se deve cobrar só dele [banco]. Uma parte vem de instrumentos em que o governo precisa atuar. Mas, sem dúvida, os bancos também têm sua parte. A Selic foi cortada, está faltando os bancos cortarem da parte deles", afirma Michael Viriato, professor de finanças do Insper.

Lazzari afirmou na sexta-feira (14) que essa é a pequena parte que cabe aos bancos e que está sendo feita. "O que a gente pode fazer sozinho é muito pouco. Podemos reduzir as taxas de juros, e elas estão sendo reduzidas."

Além da margem financeira, os bancos também são responsáveis por custos administrativos e pela inadimplência, dizem especialistas.

Os custos começam a ser cortados à medida que bancos fecham agências e digitalizam processos. O ritmo, porém, é lento e levanta comparação com fintechs (empresas que oferecem serviços financeiros inovadores).

"As fintechs já nascem digitais. O que os bancos estão fazendo? Reduzindo agência, tentando ter estrutura administrativa mais leve. E, em tese, eles começam a ter spread menor também", diz Claudio Gallina, diretor da área de instituições financeiras da Fitch.

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