Cassilândia, Sábado, 16 de Fevereiro de 2019

Últimas Notícias

14/03/2011 14:08

Artigo: Temporários e a formação de mão de obra

Vander Morales é presidente da Asserttem (Associação Brasileira das Empresas de Serviços Terceirizá

O segmento de serviços temporários tem revelado enorme potencial na colocação de trabalhadores no mercado. No último final de ano, por exemplo, a modalidade preencheu mais de 140 mil vagas, com duas características particularmente auspiciosas: quase 40 mil foram efetivados depois do Natal, contribuindo, assim, para os bons resultados do crescimento do emprego formal, e cerca de 30% dos temporários eram jovens que conseguiram seu primeiro emprego.

Além disso, está ficando ultrapassada a noção de que a demanda para temporários ocorre apenas nos picos de comércio de datas sazonais como Natal, Dia das Mães, Páscoa ou Férias. Pesquisas feitas pelo Instituto de Pesquisa Manager (Ipema), a pedido da Asserttem e do Sindeprestem, mostram que essa demanda por temporários ocorre durante os doze meses do ano, em média mensal que superou 900 mil pessoas/dia em 2010.

Esta modalidade de contratação atua como ferramenta de propulsão profissional. O trabalhador sai do desemprego para o emprego e, depois, de temporário para efetivo.

Embora preliminares, levantamentos para a próxima Páscoa ilustram esta realidade. A busca por temporários para a cadeia produtiva industrial já começou. No ano passado, cerca de 64 mil temporários foram colocados na indústria e no comércio de chocolates, 5,5% a mais do que o registrado no mesmo período de 2009. Este ano, com a economia aquecida, a previsão é que o número seja 10,5% maior, alcançando a contratação com carteira assinada de 70 mil trabalhadores temporários. Deste total, 28% deverão ser efetivados após a data. Em torno de 15 mil postos poderão ser ocupados por jovens no primeiro emprego.

Os dados demonstram cabalmente: a prestação de serviços temporários e/ou terceirizados alcançou no Brasil maturidade inquestionável. Não por acaso, nosso País é o quarto no ranking desta modalidade, atrás apenas de Estados Unidos, Japão e Reino Unido.

É certo que convivemos há décadas com inaceitáveis anomalias. As leis que regulamentam o Trabalho Temporário estão superadas, o que dá margens para interpretações dúbias, quando não equivocadas. No caso da Terceirização, o problema é ainda mais grave. Vivemos sob um intolerável vácuo jurídico, que não interessa a ninguém, empresas tomadoras ou trabalhadores. Muito menos às prestadoras de serviços, na sua imensa maioria empreendimentos sérios, que cumprem com todas as suas obrigações trabalhistas e geram numerosos empregos - 2,5 milhões em 2010.

A ausência de legislação só beneficia a minoria de empresas de fachada que, além de precarizar as relações de trabalho, exercem concorrência desleal contra empreendedores idôneos do setor. Nossa expectativa para este tema é otimista. Estamos convencidos que os novos governantes e legisladores breve inscreverão em Lei as regras da Terceirização sadia, reconhecida pela sociedade brasileira como uma modalidade modernizadora das relações trabalhistas, indispensável, aliás, para equiparar a produtividade brasileira à de seus principais competidores internacionais.

Resta, porém, uma questão crucial. Refiro-me à baixa qualificação e à precária formação educacional do trabalhador brasileiro. O problema atinge todos os setores e, em momento de ampla oferta de empregos como estamos assistindo, ganhou até uma marca: “apagão de mão de obra”. Mas, para o segmento das empresas de prestação de serviços, cujo diferencial é justamente a especialização de seus trabalhadores, as dificuldades são ainda maiores.

Vários indicadores mostram a urgência de se equacionar definitivamente a questão. O Brasil colide com vários empecilhos ao aumento da empregabilidade de seu trabalhador. A começar pela base educacional: segundo o Programa Mundial de Avaliação da Educação (PISA) ocupamos a 56ª. posição entre os países pesquisados. Não por acaso, a informalidade no Brasil chega a 40%, ante 16,5% na média de países emergentes, segundo dados do Banco Mundial. Consequência nefasta: mais de 1,7 milhão de vagas oferecidas não foram preenchidas já em 2009.

Poderia listar vários outros indicadores do nosso atraso, seja a ausência de maior qualificação, ou a necessidade de especialização no caso dos trabalhadores que as prestadoras de serviços procuram oferecer ao mercado: temporários com base educacional sólida e terceirizados com preparo para assimilar as competências exigidas em mercados cada vez mais ávidos por profissionais que ampliem a produtividade das empresas. Penso que basta o alerta. Para ter êxito nesta quadra de prosperidade que se abriu ao País, não há como negligenciar a urgência de pôr em prática mecanismos que, de fato, formem nossos trabalhadores.

Envie seu Comentário
Os comentários feitos no Cassilândia News são moderados. Antes de escrever, observe as regras e seja criterioso ao expressar sua opinião. Não serão publicados comentários nas seguintes situações:

1. Sem o remetente identificado com nome, sobrenome e e-mail válido. Codinomes não serão aceitos.
2. Que não tenham relação clara com o conteúdo noticiado.
3. Que tenham teor calunioso, difamatório, injurioso, racista, de incitação à violência ou a qualquer ilegalidade.
4. Que tenham conteúdo que possa ser interpretado como de caráter preconceituoso ou discriminatório a pessoa ou grupo de pessoas.
5. Que contenham linguagem grosseira, obscena e/ou pornográfica.
6. Que transpareçam cunho comercial ou ainda que sejam pertencentes a correntes de qualquer espécie.
7. Que tenham característica de prática de spam.

O Cassilândia News não se responsabiliza pelos comentários dos internautas e se reserva o direito de, a qualquer tempo, e a seu exclusivo critério, retirar qualquer comentário que possa ser considerado contrário às regras definidas acima.
Restamcaracteres.
 
imagem transparente
Últimas notícias
Scroller Top
Sábado, 16 de Fevereiro de 2019
Sexta, 15 de Fevereiro de 2019
10:00
Receita do dia
09:00
Santo do dia
Quinta, 14 de Fevereiro de 2019
10:00
Receita do dia
Quarta, 13 de Fevereiro de 2019
15:20
Cassilândia
Scroller Bottom

  • Idalus Internet Solutions
  • TOP DataCenter e Internet
  • Disponível na AppStore
  • Disponível no Google Play
Rua Sebastião Leal, 845, CEP: 79.540-000, Cassilândia (MS)