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18/03/2011 08:54

Artigo: O novo turista

Caio Calfat é engenheiro civil, consultor imobiliário e hoteleiro e coordenador do Núcleo de Empree

A globalização mudou a atividade turística e surgiu um novo turista, que deixou de ser aquele ser meramente contemplativo, tornando-se intensamente participativo. Quando um estrangeiro vem nos visitar no Carnaval, por exemplo, não basta assistir, ele quer participar da folia e sentir todas as emoções. E ainda entender os rituais e praticá-los, absorver a música e aprender a dança, não apenas imitar os passos.

Com isso, os profissionais que trabalham com o turismo são obrigados a acompanhar de perto esta nova realidade e se aperfeiçoar para atender a este novo turista. E a população, neste contexto, serve como uma espécie de guia turístico, pois o visitante contemporâneo quer se envolver com a localidade e seus habitantes, entender o modo de vida, conhecer seus hábitos e experimentá-los, senti-los, praticá-los e se emocionar e vivenciar novas experiências. Taxista, vendedor da loja, jornaleiro, pipoqueiro, sorveteiro, vendedor de coco, balconista da farmácia, recepcionista do hotel, garçom, frentista, entre outros profissionais, que desempenham a função de guias turísticos.

Para isso é fundamental que desenvolvam sua autoestima, seu amor por sua terra e suas coisas. Não é à toa que a Bahia ensina a todos os brasileiros como fazer turismo, pois o baiano já nasce orgulhoso de suas coisas e de seus artistas, e é um grande anfitrião e cicerone dos turistas que o visitam. O turismo moderno bem sucedido tem esta base: a autoestima de seu povo.

E esta evolução é percebida em todas as vertentes do turismo, como no ecológico, no gastronômico, no histórico, no arquitetônico, no cultural, no de eventos, no de saúde, no de compras, no religioso, no rural, e até mesmo em resorts e navios, locais em que os hóspedes não desejam mais o confinamento integral, mas a alternância com visitas aos destinos onde os navios aportam, para viverem suas experiências e conhecerem novos locais e pessoas.

Com isso, torna-se imprescindível explorar - intensamente - as características dos destinos, em profundidade, como anseia o turista; seja na história, na gastronomia, nas festas - religiosas ou não -, nas artes plásticas, na música ou literatura, nas belezas naturais, na arquitetura, na grandiosidade, nas compras e, fundamentalmente, nos serviços e na forma acolhedora e profissional como os guias turísticos recebem os turistas e apresentam suas coisas.

Este é um dos mais sérios problemas para o turismo brasileiro: a capacitação profissional. Quando não se nasce na Bahia, que cria seus habitantes cheios de orgulho por suas coisas e acolhedores, é preciso treinar os guias: garçons, balconistas de lojas, taxistas, jornaleiros. É preciso dotar a população de autoestima e este processo pode levar décadas para se completar.

Nova Iorque superou um grande período de criminalidade e de problemas urbanos estruturais, com uma campanha publicitária muito bem sucedida (I Love NY), aliada a uma ótima gestão administrativa, que elevou a autoestima de sua população e transformou a cidade no segundo destino mais visitado por estrangeiros no mundo, perdendo somente para Paris.

Há destinos turísticos de consagração internacional que se formaram em pouco tempo, apoiados em tipologia de turismo adequada à época, com grandes números de praticantes, estruturas urbana e turística compatíveis, capacitação profissional eficiente, inovador planejamento de marketing e, é claro, autoestima.

Nosso turismo interno vem aumentando significativamente nos últimos anos, mas o externo, não; é inconcebível que continuemos a receber os mesmos cinco milhões de turistas estrangeiros por ano (sendo boa parte de países vizinhos), apesar de todo o esforço do Ministério do Turismo, Embratur, Convention & Visitors Bureau, ADIT Brasil, empresários do setor turístico e hoteleiro, além de operadores, companhias aéreas, organizadores de eventos e redes hoteleiras.

Resta-nos a esperança de conquistarmos um significativo aumento de turistas estrangeiros com a exposição que teremos em virtude da Copa do Mundo de 2016 e as Olimpíadas de 2014. Contudo, temos um longo caminho a percorrer, começando por apurar e aprimorar a nossa infraestrutura e autoestima.

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