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12/03/2009 08:17

Artigo de Guilherme Girotto: "Tenho que discordar"

Guilherme Colagiovanni Girotto

Não tenho por hábito expor opiniões pessoais através de artigos. Até iniciei um, digamos, “projeto de blog”, mas não fui além. O corre-corre do dia-a-dia, utilizando o computador por longos períodos, faz-me optar por emitir a opinião através da fala, um perigo, diga-se da passagem. Por escrito, bastam as petições! Na verdade, gosto de falar na cara!

A voz popular já dizia que apenas três coisas não voltam atrás: “a flecha lançada, a pedra atirada e a palavra falada.” A decisão sobre a palavra falada é tomada a cada instante e é imediata. Pode impactar de forma decisiva com quem conversamos e modificar de forma permanente relações e afetos. Porém, somente através dela, é que certamente conhecemos as pessoas.

Falar diretamente ao seu ouvinte, permite que ele colha maiores informações sobre o seu real posicionamento. Além do que a sua voz produzir, o “público” poderá observar as suas ações: movimento de mãos, olhar, expressões faciais, enfim, poderá ver realmente, se o corpo referenda as suas palavras.

Ao expor as idéias oralmente, aquele que fala fica refém do seu ouvinte. Será que o outro está entendendo a sua mensagem? Pior, além de não estar entendendo, será que ele não pode passar a informação trocada, alterada, mal-dita, aumentada ou, ainda, inventada? Basta para o interlocutor colocar um “não” na frase onde foi dito “sim” para criar o problema: a informação errada, falsa, inverídica. E depois, como resolver o problema?

Há algum tempo, tenho visto manifestações a respeito dos acontecimentos municipais. Uns prós, outros contra. Uns apóiam o Prefeito, outros somente os Vereadores. As opiniões ficam divididas, os ânimos acirrados e a cidade, infelizmente, esquecida.

Jamais desejei o mal por não sair vitorioso nas eleições municipais a quem quer que seja. Nem ao prefeito e nem aos vereadores. Sou cidadão cassilandense. Moro e vivo aqui. Amo esta cidade. Ganho o meu pão de cada dia do seu solo.

Também nunca falei mal de nenhum deles. Criticar posicionamentos não é falar mal. Mas, quem convive mais próximo de mim, sabe que estou muito mais a escutar do que falar, até porque podem entender, e esse é um dos aspectos da fala, que qualquer opinião contrária a administração pode ser derivada da “dor de cotovelo”.

Concordo com o colega e professor da FIC/FAVA Alexandre Prado, onde fez constar em seu artigo no Cassilandianews, que “a cidade só tem a perder por ainda estar em clima de eleição (...)”. A eleição passou e faz tempo. É fato.

Mas tenho que discordar dele quando afirmou no mesmo artigo que “os perdedores agora torcem contra. Estes derrotados que pediram voto em sua casa prometendo mil maravilhas são os mesmos que agora orientam pessoas a atacar e atormentar a vida do prefeito e seus auxiliares para que não realizem um bom trabalho e levem Cassilândia pra frente”.

Digo o seguinte, professor: primeiramente, não sou perdedor, muito menos derrotado; fiz uma eleição limpa, transparente, com propostas firmes buscando o benefício da cidade.
Trabalhei com ética, sem promessas esfarrapadas, sem propostas de empregos, sem barganha política e sem perder os meus princípios. Eu e o Ten. Sílvio, meu caro, não saímos derrotados.

Não enganamos a população. Nunca falamos que seria fácil colocar Cassilândia no rumo do desenvolvimento. Pelo contrário: em nossos comícios e reuniões sempre dissemos que haveria muito trabalho, mas não nos furtaríamos a realizá-los.

Não tenho a necessidade de utilizar-me de terceiros para atacar a administração. Não me escondo, não fico em cima do muro. Quem quiser saber o que eu penso a respeito da administração, é só me perguntar. Não utilizo palavras indeterminadas (como “estes derrotados”) quando quero me referir a alguém, seja para criticar ou elogiar.

Nunca tive, inclusive, necessidade ou a obrigação de defender um prefeito ou sua administração. Parto do pressuposto de que, quem está lá deve ser, além de maior de 18 anos, uma pessoa, no mínimo, inteligente, com capacidade de autodefesa. Elogiar e criticar são bem diferentes de defender. Elogio e critico, quando acredito que uma medida é certa ou é errada. Mas não defendo; cabe a cada uma das pessoas se defenderem.

Continuo torcendo pela administração; continuo elogiando e criticando suas ações. Não a defendo ao mesmo tempo em que não a ataco. Quem quiser confundir críticas com ataques, desculpe-me: é se fazer de vítima em um crime que nunca ocorreu.


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