Cassilândia, Quinta-feira, 14 de Dezembro de 2017

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30/07/2010 09:51

Artigo de Bruna Girotto

Bruna Girotto é advogada e jornalista. (*) Artigo publicado na última edição da Revista Suporte.

Não o prive de ter uma vida. Não se prive de ser mãe. (*)

Não gostaria de falar sobre minha gravidez sempre. Principalmente porque o objetivo desta coluna nunca foi falar sobre mulheres grávidas, mas mostrar meu ponto de vista sobre diversos assuntos do cotidiano. Hoje abro uma exceção, pois não há como falar sobre aborto sem, ao menos, tocar no assunto da gravidez.

Assistindo a uma matéria do Fantástico, escutei uma mulher dizendo que abortou quando estava com cinco meses de gestação. Coincidentemente é o mesmo tempo que me encontro. Fiquei chocada.

Há algumas semanas, recebi por e-mail uma matéria sobre aborto em fetos múltiplos. A reportagem contava histórias de mulheres que, por não terem condição financeira para arcar com tantos filhos de uma só vez, realizavam aborto na quantidade de fetos desejados. Por exemplo, escolhia quantos bebês deveriam vir ao mundo. A adoção não seria a melhor saída? Achei interessante o relato de uma mãe de cinco meninos. Ela contou que pensou em realizar esse tipo de aborto e desistiu. Hoje, olhando para os quíntuplos ela disse pensar: “Qual destes não teria nascido”?

No blog que estou escrevendo sobre gravidez (www.brunagirotto.blogspot.com) recebi um comentário de uma mulher que mora em Curitiba (PR). Ela está grávida de trigêmeos e o pai dos bebês morreu em um acidente. Mesmo imaginando toda a dificuldade que poderá passar no futuro, ela confia que tudo dará certo. Não vê no aborto, uma saída para a ausência paterna.

Encantei-me com a entrevista do padre Fabio de Melo ao programa Maria Gabriela, no SBT. Ele descreveu o amor de mãe como o vínculo mais definitivo de um filho. E é verdade.

Novamente, a imagem da mulher dizendo que fez o aborto com cinco meses de gestação veio a minha mente. Nesta hora, o Miguel deu um chute, soco, cabeçada ou sei lá o que. Mas mexeu na minha barriga. Não, meu filho, nem nos piores pensamentos imaginaria um dia não trazê-lo ao mundo. Mesmo se isso tivesse acontecido em um “momento inapropriado” ou “fora dos planos”, como muitos justificam o aborto, você teria sido gerado com o mesmo amor e cuidado.

Minha mãe, em 1982, engravidou tomando anticoncepcional. Ela já tinha o Gustavo e o Guilherme. Na época foi descoberto que o lote do remédio estava com defeito. Ela teve cólica e sofreu um aborto natural nos primeiros meses da gravidez. Mesmo tocando pouco neste assunto, hoje, grávida, tenho certeza que é um luto eterno que ela guarda dentro de seu coração. Dois anos depois eu nasci. A gente brinca que eu era o bebê de 1982, e como sou muito persistente, cá estou.

Se engravidasse hoje, você realizaria um aborto? Se a resposta for afirmativa, guarde esta revista. Encare todos os dias essas pessoas reais, que mesmo diante dos problemas, não aceitaram o aborto. Afronte-se com o luto de minha mãe, que mesmo não esperando engravidar, não queria que sua gravidez fosse interrompida. Gravidez é uma escolha. Você sabe muito bem o que fazer e o que não fazer para ter um filho. Se engravidar, assuma. Não o prive de ter uma vida. Não se prive de ser mãe.

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