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17/09/2009 20:07

Após 12 dias perdido na floresta, garoto volta para casa

Ângela Kempfer, Campo Grande News

Depois de 12 dias desaparecido em plena floresta Amazônica, de 2 dias no hospital e de muita aventura para contar, o adolescente indígena Rosenildo Pereira, de 14 anos, voltou hoje para aldeia.

O garoto sul-mato-grossense saiu de Sidrolândia para visitar a mãe em Peixoto de Azevedo, no norte do Mato Grosso, mas acabou desaparecendo na mata, depois de uma pescaria com os irmãos.

Ele sumiu no dia 30 de agosto e só foi encontrado em 11 de setembro. O chefe da Casa do Índio de Peixoto Azevedo, Bedtoit Metuktire, contou ao Campo Grande News que o garoto deixou a entidade na manhã de hoje, depois de se recuperar das semanas na mata fechada.

Ele foi encontrado por índios, bastante debilitado, mas consciente e foi encaminhado ao hospital de Colider. “Depois voltou para cá e ficou novinho, até jogando futebol”, conta Bedtoit.

O garoto mora na aldeia Buriti, entre Sidrolândia e Dois Irmãos do Buriti, com a avó, mas viajou para visitar a mãe em Peixoto de Azevedo, norte do Mato Grosso, a 690 quilômetros de Cuiabá.

O menino foi encontrado a cerca de 200 quilômetros de Peixoto Azevedo, na tarde do dia 11.

No dia 30 de agosto, ele saiu para pescar com 2 irmãos pequenos em uma represa e desapareceu na mata fechada. O menino entrou na floresta e se perdeu.
Segundo relatos das crianças, de 10 e 11 anos, quando os três chegaram em uma das entradas para a área da Amazônia Legal, Rosenildo pediu para os irmãos esperarem ali, mas não voltou.

Os meninos retornaram para casa e avisaram a mãe, que chamou a Polícia, mas as buscas foram feitas pelos próprios índios da região.

Segundo Bedtoit, depois de se perder na mata, Rosenildo começou a andar. “Eu conheço bem aquilo ali, é mata fechada e perigoso demais. Foi Deus que salvou o guri”, comenta.

Como estava com um facão, ele conseguiu cortar cipós para tomar água e se alimentava de ovos de animais e peixe cru, diz o líder indígena.

“Depois de andar 3 dias, ele achou o Rio Iriri e começou a margear a água, até achar uma canoa. Foi o que ele me contou”, lembra Bedtoit.

“O garoto remou por mais dois dias, mas acabou voltando porque não encontrou ninguém. Quando estava na margem do Iriri, 12 dias depois do sumiço, ele foi encontrado por índios”, detalha.

A história acabou bem e Rosenildo ficou famoso na região por ter sobrevivido a aventura na Amazônia Legal. “Agora ele voltou para a aldeia da mãe, e depois vai voltar para casa em Mato Grosso do Sul”, prevê Bedtoit.

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