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03/05/2012 16:27

Alcides Silva: Língua portuguesa, inculta e bela!

Alcides Silva

Estropiado

Particípio do verbo estropiar, o termo que encima estes comentários, tem ligação direta com o italiano, onde existe o verbo stroppiare, mas não o tem com o estropear da língua espanhola. De se lembrar, novamente, que a língua e a linguagem são um processo em permanente atualização, até porque o homem é um ser extremamente ativo.

Na origem stroppiare significava ‘fatigar muito; mutilar’, e não tinha nada a ver com as exaustas tropas eqüinas que participavam, mundo afora, das intermináveis excursões das guerras de conquista. Nem com o tropear estrepitoso das cavalgadas festivas.

Já estropear, derivado do espanhol tropel, tem na origem o significado de rebanho, tropa. Estropear é fazer tropel, isto é, ruído produzido pelo rebanho agitado ou pela tropeada das cavalarias. É o estrépito de pés.

‘Navegar é preciso’, poetava Fernando Pessoa. Vou viajar pela história, aventurando-me uma associação de idéias.

Há um termo latino, strophium (derivado do grego strophos, ‘corda’) que era o nome dado a uma faixa de pano ou de fibras vegetais que apertava e segurava os seios das mulheres, oprimindo-os. Aliás, nas gravuras antigas, as mulheres quase não têm representação de seus seios.

O strophium foi o avô do espartilho, um colete justo que, dos quadris até abaixo dos seios, comprimia o corpo da mulher para dar-lhe elegância, segundo o padrão de beleza da época. Verdadeiro instrumento de tortura feminino que chegava a mutilar, o espartilho, feito de esparto, do latim spartu, que era uma planta de fibra resistente usada também para fazer corda e esteiras, foi o símbolo da denominação da mulher porque tolhia-lhe os movimentos. Como aquelas fibras de esparto, com o uso, pudessem ceder, os espartilhos passaram a ser feitos de tecidos resistentes e grossos, providos de barbatanas de baleia ou de fitas de aço, com ilhoses por onde passava longo cadarço para apertar ao máximo o abdome e a cintura da mulher, - cintura de pilão - chegando a causar-lhe hematomas, dermatoses, feridas, infecções e até a morte. Aliás, do grego stróphos, \'corda\', surgiu estrúfulo, nome de uma doença de pele muito comum nas crianças.

A Revolução Francesa o aboliu, por ser um símbolo da aristocracia então deposta.

No início do século XIX, o espartilho voltou à moda, já agora de tamanho bem menor, sem o suplício das barbatanas de baleia, mas ainda incômodo. Sua principal função era a de realçar os seios e proporcionar a sensação de abundância e opulência. Em “A Padroeira”, recente folhetim da televisão brasileira, a competente atriz Suzana Vieira, para gáudio de seus fãs, usou-o fartamente.

Os tempos modernos substituíram aquelas máquinas de suplício pelo suave sutiã, que, no encantamento das lingeries sustentavam e, agora, sob o império do silicone, enfeitam os seios, exibindo-os generosamente.

Não sei – e nem encontrei quem comigo compartilhasse da indução -, mas que vontade de dizer que estropiado também foi no passado um dos qualificativos dados aos seios mutilados e reprimidos pelo strophium romano!

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