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05/05/2016 11:00

Abdominais realmente fazem bem à saúde?

Portal Educação Física

 

Pesquisadores passaram a se questionar se esse tipo de atividade realmente ajuda a trazer a desejada “barriga tanquinho” ou se a boa forma abdominal não dependeria mais dos hábitos alimentares e da atividade física em geral.

Uma revisão de vários estudos sobre exercícios abdominais concluiu que eles melhoram a flexibilidade e a força muscular. Em cães, por exemplo, a atividade também ajuda na distribuição de nutrientes para os discos da espinha dorsal, o que previne a rigidez.

Mas chegar à “barriga tanquinho” é um trabalho e tanto. Em um pequeno teste realizado no Estado americano no Illinois, em 2011, um grupo fazia abdominais diariamente, enquanto outro, o grupo de controle, apenas assistia. Depois de seis semanas, os especialistas realizaram medições detalhadas de cada voluntário e observaram que os exercícios não fizeram diferença na circunferência da cintura nem na quantidade de gordura na barriga.

Muitos atletas praticam exercícios abdominais como parte de uma longa série que tem por objetivo melhorar a estabilidade central do corpo.

Mas uma pesquisa realizada na Universidade do Estado de Indiana por Thomas Nesser sugeriu que mais estabilidade nem sempre resulta em um melhor desempenho esportivo.

E o pior: independentemente de ajudarem ou não a atingir a forma física dos seus sonhos, os abdominais tradicionais podem até prejudicar a coluna, segundo Stuart McGill, professor de biomecânica da coluna na Universidade de Waterloo, no Canadá.

Ele realizou dezenas de estudos em seu laboratório usando cadáveres de porcos, repetidamente flexionando suas colunas da mesma maneira que uma pessoa faz ao praticar exercícios abdominais – por horas e horas a fio.

Quando examinou a coluna depois das sessões, o cientista percebeu que os discos foram comprimidos de tal maneira que ficaram abaulados. Se o mesmo acontecer com um ser humano, isso colocaria pressão nos nervos, provocando dor nas costas ou até mesmo hérnias de disco.

McGill escolheu porcos para seus experimentos porque a coluna desses animais é mais semelhante à do homem. Mas críticos ao estudo apontam que existem diferenças gritantes entre as duas espécies. Além disso, os testes do cientista canadense se baseiam em milhares de flexões contínuas, enquanto pessoas normalmente fazem pausas entre uma série e outra de exercícios.

A força da genética

Talvez esses resultados nos mostrem o que pode acontecer em casos extremos, como no de uma pessoa que passa uma hora fazendo abdominais. Mas na vida real, não se pode afirmar que lesões nos discos são causadas por séries curtas desses exercícios.

Mesmo assim, os abdominais podem resultar em lesões. Uma pesquisa publicada em 2005, baseada na observação de soldados em uma base americana, atribuiu a esse tipo de exercício 56% das lesões crônicas ao longo de dois anos.

Algumas pessoas têm mais propensão a sofrer de problemas nas costas provocados por abdominais do que outras. A explicação pode estar na genética. Segundo uma pesquisa da Universidade de Alberta, no Canadá, não é a repetição que provoca as dificuldades, mas sim fatores genéticos, que respondem por 75% das diferenças entre as pessoas que sofrem de dores nas costas e as que não sofrem.

Outro estudo, que vem acompanhando a saúde da coluna de gêmeos na Finlândia, no Canadá e nos Estados Unidos desde 1991, descobriu que a genética é grande responsável pela suscetibilidade à degeneração dos discos da espinha.

Portanto, os exercícios abdominais podem provocar dores nas costas, mas apenas em algumas pessoas. Já é uma boa desculpa para não praticá-los.

Minimizando as lesões

Mas para quem quer ter uma barriga definida, será que há maneiras de minimizar os riscos? O professor McGill recomenda deslizar as mãos sob a lombar para impedir que ela se “achate” em contato com o chão. Isso minimiza a pressão sobre a coluna.

Outra dica: mantenha uma perna dobrada e a outra esticada, e aí levante a cabeça ligeiramente, como se estivesse apenas tentando tirar o peso dela de cima de uma balança.

Já Bret Contreras, da Universidade de Tecnologia de Auckland, na Nova Zelândia, recomenda limitar os exercícios a 60 repetições por sessão, começando com apenas 15 e aumentando gradativamente.

Além disso, os especialistas lembram que após uma noite de sono ou de muitas horas sentado nossa coluna “cresce” um pouco, o que dificulta os abdominais e aumenta o risco de lesões. Portanto, nunca saia de um estado de repouso total diretamente para uma série de abdominais.

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