Cassilândia, Sábado, 10 de Dezembro de 2016

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07/11/2006 06:14

A crônica do Corino- O procurador II

Corino Rodrigues Alvarenga
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O procurador II

Como já escrevi, tenho um amigo conhecido através da internet - que optei por chamá-lo assim -, João Brasil. Ele é procurador, e, para preservá-lo, é claro, optei pelo uso de pseudônimo.
A vida de João Brasil, imaginada por mim, tem um lado bom e um lado não tão bom.
O lado bom é que, no seu ofício, pode denunciar parte das mazelas praticadas por maus brasileiros todos os dias. E haja mazelas, falcatruas, desfaçatez!
O lado não tão bom é que o meu amigo perde a sua liberdade e a sua tranqüilidade ao se tornar alvo, um inimigo do crime – e não se pode subestimar nunca a má intenção e a perversidade dos criminosos.
Os procuradores e policiais federais, os promotores e as autoridades sérias deste País vêem-se obrigados a se trancar dentro de casa, tendo sua liberdade castrada, enquanto que muitos dos marginais estão soltos graças aos habeas corpus impetrados preventiva ou posteriormente tão comuns, injustos, mas baseados em preceitos constitucionais.
Eu imagino que tem também o lado bom: ficar em casa, lendo, plugado no mundo, adquirindo informações e se aprofundando ainda mais para se chegar ao epicentro das ilegalidades que se pratica neste País.
Eu nunca seria um policial, um promotor ou um investigador. Primeiro que tenho dificuldade até de achar um clips ou um documento que esteja à minha volta, bem aqui ao lado do computador.
Mas não é só por isso, não. Eu acho uma terrível injustiça o que se faz com as boas autoridades deste País. Quantos policiais que combatem o crime, como o tráfico de drogas nos morros cariocas, não morrem nas ações in loco porque algum policial corrupto vendeu a informação para os chefes do crime, delatando os seus próprios colegas de profissão? Certa vez li uma notícia que dava conta de que um carcereiro de Bangu I que havia recebido a bagatela de R$ 400 mil para facilitar a entrada de aparelhos celulares e drogas no presídio carioca ou facilitar a fuga de detentos perigosíssimos.
Há alguns meses aconteceu um crime em Barreiras, na Bahia, que deixou todo mundo revoltado, inclusive eu. Marginais entraram numa loja, praticaram assalto e saíram de lá ameaçando: se avisassem à polícia, eles voltariam.
Os donos da loja, no exercício de um papel que lhes cabia, registraram a queixa policial. Um direito e um dever ao mesmo tempo. Quem não denuncia um crime é conivente – pelo menos essa é a minha interpretação do que diz a lei. A polícia prendeu os marginais, a Justiça soltou, eles voltaram à loja e praticaram uma chacina depois de torturar as pobres vítimas.
Vítimas que cometeram um único erro: acreditaram nos homens que deveriam zelar mais pela Justiça deste País.
E não me refiro aí somente aos magistrados, mas, sobretudo, aos legisladores que fazem leis perversas, insanas, obsoletas, arcaicas, gagás. Quer mais adjetivos? Eu tenho aqui mais uns trezentos já engatilhados.
Então, prezado leitor, eu me coloco no lugar do amigo procurador João Brasil. Quantos Joões Brasis não existem no Brasil? Quantos Joões Brasis não estão neste momento no Brasil trancafiados como o juiz federal Odilon de Oliveira, que mora no Forum de Ponta Porá, em Mato Grosso do Sul, porque está sendo ameaçado pelos traficantes de drogas?
Leia aí trecho de uma notícia da Agência Estado.

“Juiz vive confinado

Ponta Porã, MS (AE) - Odilon de Oliveira, de 56 anos, estende o colchonete no piso frio da sala, puxa o edredom e prepara-se para dormir ali mesmo, no chão, sob a vigilância de sete agentes federais fortemente armados. Oliveira é juiz federal em Ponta Porã, cidade de Mato Grosso do Sul, na fronteira com o Paraguai. Jurado de morte pelo crime organizado, está morando no fórum da cidade. Só sai quando extremamente necessário, sob forte escolta.

Em um ano, o juiz condenou 114 traficantes a penas, somadas, de 919 anos e 6 meses de cadeia, e ainda confiscou seus bens. Como os que pôs atrás das grades, ele perdeu a liberdade. ‘A única diferença é que tenho a chave da minha prisão.’

Traficantes brasileiros que agem no Paraguai se dispõem a pagar US$ 300 mil para vê-lo morto. Desde junho do ano passado, quando o juiz assumiu a vara de Ponta Porã, porta de entrada da cocaína e da maconha distribuídas em grande parte do País, as organizações criminosas tiveram muitas baixas. Nos últimos 12 meses, sua vara foi a que mais condenou traficantes no País.

Oliveira confiscou ainda 12 fazendas, num total de 12.832 hectares, 3 mansões - uma, em Ponta Porã, avaliada em R$ 5,8 milhões - 3 apartamentos, 3 casas, dezenas de veículos e 3 aviões, tudo comprado com dinheiro das drogas. Por meio de telefonemas, cartas anônimas e avisos mandados por presos, Oliveira soube que estavam dispostos a comprar sua morte. ‘Os agentes descobriram planos para me matar, inicialmente com oferta de US$ 100 mil.’”

É por isso que tenho feito orações pela vida do meu amigo João Brasil e pela vida de todos os Joões Brasis que há neste Brasil afora. E também, é claro, pelo juiz Odilon.
Eles são, afinal, a luz de esperança que ainda há nesta região do hemisfério Sul. Uma luz que não pode apagar. Se apagar, estamos fritos.

Corino Rodrigues de Alvarenga
Contato com o colunista:
corinorodrigues@hotmail.com

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