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06/09/2006 07:58

A crônica do Corino - Lembrando Wanderlei de Carvalho

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Sobre Wanderlei de Carvalho

Em julho de 1984, eu estive na redação do Cassilândia Jornal, ali à rua Joaquim Balduíno, bem perto da Praça São José. Levei para o editor do jornal, Wanderleiy de Carvalho, uma crônica intitulada “Cada marido”.
Wanderleiy de Carvalho leu, gostou e publicou no Cassilândia Jornal logo a seguir. Pronto: começava ali a minha carreira de 22 anos no mundo do jornalismo. Wanderleiy, que infelizmente nos deixou anos depois, era casado com Maria de Lourdes Tenório, filha do saudosíssimo Pernambuco – filha e pai, dois seres humanos sem-igual e bons demais da conta. A bondade de Maria de Lourdes veio no DNA do benfeitor Pernambuco, cognome de Joaquim Tenório Sobrinho.
Eu fiz uma troca na vida: deixei um trator Valmet 85, com o qual trabalhava arando terra na fazenda do meu irmão João Marinho, por uma máquina de escrever Olivetti 98. Não que tenha me tornado um bom jornalista, mas pior o fiz como tratorista, já que certa vez quase destruíra a máquina e quase também perdera a vida ao descer por vários metros uma íngreme ribanceira, só não terminando em tragédia devido à generosidade de uma frondosa árvore que estava no meio do caminho. A árvore lá estava, firme. E lá permaneceu, segurando eu e o trator.
Não morri. Não era o dia. Deus assinou naquele dia a renovação do meu passaporte.
Até hoje sou agradecido a meu irmão João Marinho, mas, cá entre nós: se lá permanecesse, certamente que teria destruído todo o maquinário da sua fazenda. Foi melhor assim, meu irmão.
A troca de profissão só trouxe um problema: em vez de chatear o gado, os marimbondos e os peões da fazenda, passei a chatear um número bem maior de pessoas: os leitores do Cassilândia Jornal. E mais tarde um outro grupo de vítimas: os ouvintes da Rádio Patriarca, que já estava no forno em meados de 1984, passando a funcionar – em caráter experimental – no final daquele ano. Se eu estiver errado, a culpa é da memória.
No Cassilândia Jornal, convivi no dia-a-dia com o fiel escudeiro de Wanderleiy de Carvalho, o paulista de Santo André, Dalmo Saucedo Curcio, filho de gaúchos. Mais do que aluno de Wanderleiy de Carvalho, eu entendo que Dalmo, já àquela época, passou a ser uma escola também, pois era um bom e esforçado colunista social, excelente fotógrafo, eficiente repórter e fidelíssimo àquele ofício de bem-fazer jornal numa cidade do interior.
Justiça seja feita: Dalmo Curcio é um dos melhores fotógrafos de Mato Grosso do Sul. Poucos têm a sua sensiblidade para buscar ângulos irregulares em situações incomuns, com sentido de foco visto em poucos trabalhos de fotojornalismo. Sua lente consegue captar o inusitado, enquanto outros captam apenas o feijão-com-arroz.
Lembro-me ainda dos companheiros Adalmir de Almeida e do árbitro e repórter esportivo Adejair de Moraes. O primeiro saiu, foi para o Banco do Brasil e formou-se advogado, salvo ledo engano. Adejair está hoje no site ocorreionews, no Chapadão do Sul.
Todos nós podemos dizer o seguinte hoje: a escola de jornalismo lançada por Wanderleiy de Carvalho, em 1980, formou não só bons profissionais no ofício da informação, mas homens acima de tudo.
Wanderleiy de Carvalho, além de bom no seu ofício de editor, tinha uma grande qualidade: era corintiano. E essa é uma qualidade que me agrada e muito. Não sei se é pelo fato de que eu também seja alvinegro e dos gaviões da Fiel. Talvez seja por isso.
Wanderleiy era um dos diretores-sócios da Rádio Patriarca, ao lado de João Juarenço Girotto e Manoel Afonso. A Rádio Patriarca somava-se ao Cassilândia Jornal no importantíssimo ofício de levar a informação ao cassilandense, e, além disso, levar o nome do município e sua gente para outras fronteiras.
Wanderleiy prematuramente se foi, mas a Rádio Patriarca está aí levando avante os ideais de seus diretores,dentre eles o saudoso jornalista e corintiano de carteirinha.
Tenho que me esforçar agora para tentar justificar o título acima.
Wanderleiy de Carvalho, com sua visão de editor e de cassilandense adotivo, pois era paulistano, deu-me um grande presente: o ofício de escrever o livro cujo título ele mesmo escolheu – A Verdadeira História de Cassilândia, com suas 163 páginas de muitas histórias dos pioneiros, dados e números da formação sócio-política e cultural da terra de Cassinha, alcunha de um patrimônio que virou nome de rua: Joaquim Balduíno de Souza, tão importante quanto os nomes de Sebastião Leal, Amin José, Domingos de Souza França, Joaquim Tenório Sobrinho e tantos outros cassilandenses ilustres.
E foi assim que escrevi o livro, em 1986 – com a impressão da Editora Brasília, de Campo Grande – e cuja venda foi um verdadeiro sucesso. Pelo menos todos os exemplares foram vendidos e eu não disponho de nenhum hoje para contar a história e para provar o que estou dizendo.
Espero que a contribuição à cultura e à memória de Cassilândia também tenha sido à altura. Mas isso só o tempo dirá. O tempo é, afinal, o senhor da razão.
Resumindo é isso: a Imprensa, em Cassilândia, deve muito a Wanderleiy de Carvalho. Eu fui apenas um instrumento e uma engrenagem diante daquela máquina extraordinária montada por ele naquela pequena e apertada sala localizada ali à rua Joaquim Balduíno – bem no coração da terra de Cassinha.

PS: obrigado ao amigo Ivan Fernando Gonçalves Pinheiro, o eterno nobre causídico e intelectual de carteirinha; e ao Camilo, o bancário que morou em Cassilândia por onze anos, pelos e-mails enviados. A vocês, amigos, ofereço como herança os meus parcos recursos culturais, mas com robusta e elogiável força de vontade.

Corino Rodrigues de Alvarenga
Contato com o colunista:
corinorodrigues@hotmail.com





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