Cassilândia, Sexta-feira, 15 de Dezembro de 2017

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16/10/2006 06:14

A crônica do Corino - Baianês

Corino Rodrigues Alvarenga
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Baianês

Virou moda o baianês, a língua falada pelos baianos. Tem até livro. E dicionário também. O baianês está na moda. Como estou morando na Bahia de Todos os Santos, mais precisamente na paradisíaca Jacobina com suas cachoeiras, serras e grutas, acabei por fazer do baianês o meu idioma.
Mas o baianês apresenta duas ramificações muito distantes: a afrodescente/soteropolitana e a tabaréu/vaqueirama, que predomina no agreste. Não pense você, meu conterrâneo sul-matogrossense, ou você, leitor de São Paulo, do Rio ou de qualquer outro Estado brasileiro, que na Bahia só se ouve axé music, Ivete Sangalo, Daniela Mercury, Caetano e companhia.
Depois que Luiz Caldas inventou o axé, a impressão que se tem é que a música baiana se resume a isso. No interior, entretanto, graças à ramificação tabaréu/vaqueirama, predominam os ritmos do arrocha, sertanejo e cigano. Tayrone Cigano, por exemplo, é uma espécie de Amado Batista daqui. E por falar em Amado Batista, ele também faz um sucesso tremendo no agreste baiano. Os sertanejos do Sudeste e Centro-Oeste se sentem em casa aqui na Bahia. Zezé di Camargo e Luciano, Chitãozinho e Xororó e Leonardo que o digam.
Quanto ao baianês, alguns termos merecem um rápido registro.
“Uh, retado” substitui termos como o “caramba”, “puxa vida” ou “meu Deus do céu”.
Como baiano não gosta de briga (esse negócio de briga dá uma leseira, um cansaço...), na hora da briga, em vez do “vamos resolver isso lá na rua”, entra o matreiro “Deus é mais”. Em vez de xingar ou agredir, o baiano sai pela tangente. E tudo acaba em samba. Ou em cerveja.
“É massa” tem o significado de “bom demais” ou “excelente”.
“Pronto” significa “deixa comigo, meu rei”.
“Seu prosa ruim” refere-se ao interlocutor que só diz besteiras.
“É mole pra nós” tem significado parecido: “Deixa comigo e fique tranqüilo”.
“Ô, ô, ô” é uma forma de discordar de quem falando. Também tem o “Ôxe, ôxe, ôxe”, que tem a função de dizer que o sujeito está dizendo bobagens sem, no entanto, dizê-lo ao pé da letra. A pessoa é chamada de burra e não está nem aí. Baiano nunca está aí.
“Preciso lhe ver” é o mesmo que dizer “me paga o que deve, caloteiro”.
“Resenha” tem o significado de “gozação” ou “galhofa”. Baiano não goza o outro; faz “resenha”. É como jogador de futebol.
“Rapaz” é usado no tratamento a menino, mulher, moça, velho, velha ou até mesmo a um rapaz.
“Meu rei” e “meu guerreiro” são utilizados para se tratar um amigo. Ou, de forma irônica, para cobrar uma posição ou dinheiro e até mesmo para dar uma “regulagem” em alguém.
“Ai, ai” significa qualquer resposta discordante ou até mesmo “ai, ai”.
“E aí, véio?” é o bom-dia no tabaréu/vaqueirama. Já na capital Salvador o normal é o “porra, velho”. Basta andar por Salvador, que você ouve isso o dinheiro inteiro. No ponto do ônibus, na avenida Sete ou nos shoppings centers.
“Ô, meu pai” ou “Ah, meu pai” também é comum na Bahia.
“Pai de santo” é o telefone celular a cartão que está sempre sem crédito: só recebe.
“Vixi, mãiinha” tem vários significados como “que coisa, hein” ou “isso é incrível”.
“Baba” é o mesmo que partida de futebol, racha, rachão ou jogo de bola. Se você chamar alguém para jogar futebol por aqui, vai ficar na cara que você é paulista.
“Oxente” é o “caramba”, é o “chocante” ou “demais”. Se você estiver um dia na Bahia e não usar o “oxente”, você estará totalmente fora de sintonia. Você é um torcedor argentino, com a camisa da Argentina, em frente o telão da avenida Paulista durante a final da Copa entre Brasil x Argentina. É porrada na certa.
“Fim de festa” é usado para dizer que uma pessoa é chata pra burro.
E finalmente “descarado”, que é a forma mais contundente de chamar alguém de “vagabundo” ou “imprestável”.

Depois de aprender o básico do baianês, você já pode vir para a Bahia e descobrir “o que é que a baiana tem”.
Eu descobri. E confesso: gostei. Aliás, nem é bom fazer resenha sobre isso agora, meu rei.
Axé, meu guerreiro!

Corino Rodrigues de Alvarenga
Contato com o colunista:
corinorodrigues@hotmail.com

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