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05/03/2013 13:21

2014: Será mesmo que teremos uma “Copa Verde”?

Marina Dall’Anese

A Copa do Mundo de Futebol da Alemanha, em 2006, foi o primeiro torneio internacional em que a FIFA (Federação Internacional do Futebol) passou a exigir que a sustentabilidade permeasse a organização dos jogos levando em conta questões como o aquecimento global, o manejo sustentável e a geração de empregos para a comunidade local, de forma a reduzir os impactos negativos gerados pelo torneio. A proposta da FIFA é que haja integração dessas questões à gestão, preparação e execução dos eventos.

O Comitê Organizador Local (COL), juntamente com a FIFA, desenvolveu o conceito da Estratégia de Sustentabilidade da Copa de 2014 que será realizada no Brasil. O documento tem o objetivo de guiar os esforços para a realização de um evento sustentável, de forma a incentivar o aumento dos impactos socioambientais positivos. As ações propostas têm abrangência nacional, porém serão focadas nas 12 cidades-sede dos jogos.

Como o objetivo da organização é que esta seja uma “Copa Verde”, os principais temas abordados pela Estratégia de Sustentabilidade incluem questões ambientais, econômicas e sociais - o chamado tripé da sustentabilidade. Dentre as ações que estão sendo realizadas pode-se destacar a exigência da certificação LEED (Leadership in Energy and Environmental Design, na sigla em inglês) para a construção sustentável dos estádios, o estímulo ao consumo de produtos nacionais e orgânicos, à reciclagem, à coleta seletiva, entre outros.

O Brasil tem know how para a concretização do conceito de sustentabilidade desenvolvido para a Copa de 2014, mas a dificuldade de integração das atividades em andamento pode impedir que seja alcançado o ideal de sustentabilidade esperado para o evento. Algumas iniciativas propostas, por exemplo, falham no quesito abrangência, pois a exigência de certificação de construção sustentável se restringe aos estádios que estão sendo reformados ou construídos. Todas as demais obras de infraestrutura que serão realizadas não foram envolvidas.

O governo federal está incentivando a reciclagem de materiais, a coleta seletiva, entre outras ações, que irão proporcionar uma melhor gestão dos resíduos sólidos. Para que estas iniciativas sejam efetivas, a população brasileira deverá ser ensinada a realizar tais atos, de forma que estes projetos não ocorram somente durante a realização dos jogos, mas que se torne parte do cotidiano, atendendo a um dos principais conceitos da sustentabilidade: a busca constante pelo equilíbrio entre o homem e o seu meio.

A questão climática é outro tema bastante enfatizado pela organização da Copa que apresentou a proposta de consolidar a aplicação de tecnologias com baixa emissão de carbono, de forma a minimizar ao máximo possível as emissões de gases de efeito estufa (GEE). Mas apesar deste estímulo ao desenvolvimento tecnológico e da nossa matriz energética limpa, baseada na geração hidrelétrica, já foi anunciado que as termelétricas - alternativa de geração de energética para períodos de estiagem - estarão ligadas durante a realização do evento para garantir o abastecimento de energia nacional, evitando os riscos de apagões.

Mesmo não considerando a geração “menos limpa” de energia durante a Copa do Mundo, um estudo realizado apresentou a impressionante estimativa de emissão em 14 milhões de toneladas de GEE durante a preparação e realização dos jogos - como comparativo, a estimativa de emissões de GEE da Copa de 2010, na África do Sul, foi de 2,75 milhões de toneladas.

Sendo assim, devem ser estimuladas ações que visem à redução das emissões de GEE, como a utilização de transportes públicos, ao invés de automóveis particulares, no deslocamento até os estádios, a diminuição do número de deslocamentos aéreos – que nos jogos anteriores foi responsável pela maior parte das emissões – entre outras. Para aquelas emissões que não puderem ser evitadas, existem metodologias seguras de mitigação do impacto gerado, como a neutralização de gases de efeito estufa, que poderão ser executadas, de forma a reduzir a pegada de carbono da Copa.

A maior parte dos espectadores dos jogos será estrangeira e o Brasil atualmente tem um dos piores índices de proficiência na língua inglesa. É por isso que já está sendo especulada a contratação de mão de obra estrangeira para o atendimento do público visitante, tanto nos estádios e demais locais relacionados diretamente aos jogos, como em bares, restaurantes e pontos turísticos.

Os programas de treinamentos e cursos propostos hoje não serão suficientes para habilitar o número necessário de atendentes fluentes em inglês e outros idiomas, sendo necessários outros investimentos que possibilitarão a superação da barreira lingüística. Uma das soluções propostas para esta situação é a aquisição de aplicativos mobiles capazes de fazer a tradução imediata das orações dos interlocutores.

Estes são alguns exemplos das oportunidades de melhoria na recepção de um dos maiores eventos mundiais, que poderá trazer muitos frutos para o desenvolvimento nacional do que os puramente econômicos já alardeados. No entanto, um evento de grande porte com potencial - e obrigação - de apresentar resultados verdes poderá acarretar significativos impactos negativos devido à falta de preparo e de cumprimento de metas e prazos.

O legado esperado pela cediação de um evento do porte da Copa do Mundo de Futebol não deve ser somente estádios e infraestrutura de acesso aos mesmos, mas também o legado do desenvolvimento cultural e econômico da população diretamente afetada, a consolidação de tecnologias verdes e o exemplo da funcionalidade e aplicação de ações cotidianas em direção a uma sociedade mais sustentável.

Há especialistas que afirmam que não dará tempo de correr atrás dos prejuízos, mas somos brasileiros, não devemos desistir de tentar conquistar tudo o que esta Copa pode nos apresentar!

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Marina Dall’Anese, gestora ambiental pela USP, analista de negócios da www.neutralilzecarbono.com.br e consultora da www.greendomus.com.br

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