Cassilândia, Quarta-feira, 13 de Dezembro de 2017

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13/04/2015 09:00

"Aquela gorda? Nunca vai casar! Só se aparecer algum desesperado"

Liziane Berrocal
Lizi e Josiel, juntos há 3 anos e 5 meses.Lizi e Josiel, juntos há 3 anos e 5 meses.

“Quem vai querer ser marido de uma gorda?”

“Ah, só se o cara estiver no desespero”

“Claro que você está solteira, olha o seu tamanho”

“Amiga, ele terminou comigo e está namorando uma gorda”

Então, eu acredito que muita mulher gorda (ou só gordinha) já ouviu alguma frase do tipo ou ficou sabendo de alguém falou algo sobre mulheres que estão acima do peso. Como eu já falei em outras postagens, nunca tive problemas para namorar, tinha até fãs que me mandavam presentes. Sempre fui popular e bem resolvida comigo mesma e com a minha parceira gordura.

No entanto, minha gente, eu sou pesada, mas o preconceito das pessoas, esse pesa toneladas.

Meu primeiro relacionamento sério (de apresentar para família e tals) foi só aos 21 anos. Ele era bem magrinho e claro, o negócio não foi bem recebido, porque além de tudo ele era mais novo que eu. E qual foi a minha surpresa quando um dia a mãe dele me contou que um professor o procurou e falou: “Nossa, como você deixa seu filho namorar aquela gorda? E ela é mais velha que eu, se fosse eu denunciaria”.

Na ocasião, eu pensei comigo: Denunciaria por eu ser mais velha ou por eu ser gorda?

Pois é, meus amigos e amigas... Para muitos, a mulher gorda não merece ser amada, não merece ser desejada ou ser assumida (termo machista, mas necessário nesse texto) e no máximo ser “usada para uma noite de sexo” e, não raro, vemos as próprias mulheres usando frases que reforçam esse tipo de pensamento tais como: “Homem gosta de ter onde pegar” ou “Ah, fala que come alface, mas gosta mesmo é de uma picanha” e se submetem a serem fetiches sexuais. Ou não, porque eu já vi gente escrevendo absurdos em matérias do tipo: “Reclama do que? Se o cara estuprou essa gorda ela deveria estar é mais que feliz!”.

Isso, sem esquecer aquelas que se submetem a um relacionamento onde o homem sente vergonha de andar de mãos dadas ou de assumir publicamente a relação pelo fato delas serem ou estarem gordas.

Mas por que isso? Bom, a coluna não tem a intenção de ser científica e sempre escrevo pela ótica do “umbigo”, ou seja, pelo mundo que eu já vivenciei e vivencio sobre o ser ou estar gorda.

A sociedade impõe um padrão de beleza e é óbvio que muitos vão tentar seguir esse padrão ao máximo, caso o contrário não teríamos bullying, preconceito e afins e com essa pressão da sociedade, muitos se submetem sim.

Como o caso que eu soube de uma moça que era dona de um corpo magro, engordou e o namorado a trocou por outra (sem ela saber) e ao seu lado era só elogios, mas nos eventos sociais que participava levava outra magrinha para dizer que era sua mulher. Nas palavras dela “era frustrante saber que num dia eu era a gata perfeita e no outro a baleia horrenda, eu sabia, mas doía muito deixá-lo”.

Eu também já me submeti, e só depois de muito tempo enxerguei que o que faltava era amor próprio para deixar uma relação onde o outro está mais preocupado em cumprir um padrão social (aparências) do que viver um grande amor. E me espantei quando depois de muito tempo perguntei a pessoa porque ela agia assim e a resposta foi: “Ninguém pode ser tão feliz sendo tão diferente”.

Sim, as pessoas podem ser felizes sendo diferentes, elas podem não, elas têm o direito, porque amor não é questão de peso nem questão de medidas, e apesar de ver todos os dias histórias e mais histórias de pessoas que sofreram com o preconceito por enfrentarem o padrão corporal imposto pela indústria e pela mídia, ainda precisamos acreditar que as pessoas devem ser amadas pelo que elas são.

Falo isso porque vivo na minha vida pessoal, já vi muita gente questionando o que meu marido veio fazer em Campo Grande, ou falando coisas absurdas que nem vem ao caso mencionar ou mesmo tirando sarrinho porque ele demonstra claramente seus sentimentos por mim e me apóia incondicionalmente em minhas decisões sobre a cirurgia e sobre o emagrecer, comemorando comigo cada momento de vitória da bariátrica, cada grama emagrecida.

Algumas vezes ele se incomoda, outras não, e eu valorizo isso, porque sei o quanto é difícil enfrentar o outro lado, que é o do apontamento, sem dar uma porrada na cara de quem nem sabe o que está falando e julga a pessoa pelos quilos que ela tem (ou pela cor da pele, ou pela idade ou pelo cabelo ou pelo que for). Pessoas que enfrentam isso para estarem ao lado de quem amam, merecem um “Uuuupa” bem grande!

E como sempre escrevo aqui de minhas experiências vividas, é preciso muita coragem para expor o coração, para abrir o seu intimo simplesmente para falar para você gordinha ou gordinho: você pode e deve ser amado! E não interessa se vão falar que no “rala e rola” vai sair cheiro de bacon ou se questionarem “o que você viu naquela gorda”.

E você leitor, se não gosta de pessoas mais gordinhas, respeite, tem gente que gosta. O que interessa mesmo é o amor. Afinal, como já cantava o poeta, a medida de amar é amar sem medidas...

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