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Uma história de vida: há quarenta anos ele nos deixou

Redação - 01 de junho de 2020 - 09:21

Foto ilustrativa
Foto ilustrativa

Laureno Schetter Machado faleceu em 1980, há 40 anos. Bom lembrar deste cidadão que escolheu Cassilândia para morar, quando resolveu deixar a sua terra natal. Foi muito importante a sua passagem pelo município. Ajudou a comunidade com novas idéias e participação. Foi um dos primeiros a acreditar no atual Chapadão do Sul.

A família de Laureno guardou com carinho uma homenagem póstuma feita por Manoel Afonso e publicada no jornal que o articulista foi um dos fundadores, O Bolsão, que tinha na época até impressora para imprimir as edições. Velhos e bons tempos...

Vamos relembrar.

LAURENO PARTIU...DEIXA-NOS SAUDADE E EXEMPLO

Ele chegou nesta terra um pouco antes de nós, e logo travamos uma amizade graças a uma convivência da qual já estamos sentindo saudade. Ele veio lá do Sul para plantar esperanças no outrora inóspito ‘Pouso Frio’. Trouxe consigo as sementes hereditárias do trabalho e honradez. Sua obra frutificou.

E, na manhã daquela segunda feira, quando ouvimos a notícia de seu passamento, nós estávamos numa sessão de júri. E ali sentado, ficamos a recordar algumas facetas deste gaúcho que Cassilândia aprendeu a admirar. A sua simplicidade, seu jeitão espontâneo de se expressar, sua fibra como empreendedor contagiou a todos nós.

A cidade aprendeu muitas coisas com Laureno. Seus conterrâneos radicados nesta região sempre manifestaram admiração e tinham-no como exemplo. Ele era um entusiasta por Cassilândia. Ele acreditava nesta terra. Às vezes alguns amigos chegavam a admitir que ele seria um prefeito ideal, mas o próprio Laureno habilmente descartava tal possibilidade alegando motivos outros.

Se Laureno gostava de chimarrão, também não esquecia do seu ‘Colorado dos Pampas’. Ainda estamos a vê-lo alegre e feliz como uma criança pela primeira conquista do Campeonato Brasileiro. Ele saiu às ruas desfraldando a bandeira colorada e revelando outra faceta que era de desportista fanático. Parece que foi ontem que fomos à sua casa comemorar o título, regado ao bom vinho.

O tempo foi passando e com ele veio uma notícia trazida na base da ‘surdina’, na qual nós não queríamos acreditar. Era terrível para ser verdade. Com o tempo travou-se uma luta titânica e a cidade se uniu por esse filho adotivo, como se uniu também à família de Laureno, querendo que ele ficasse entre nós. Foram meses de angústia, dúvidas e até medo. Parece incrível, mas esse gaúcho conseguiu atrair para si toda uma cidade independentemente de política ou classe social, que de mãos dadas rezou e pediu por ele.

Mas, eis que se cumpriu a vontade do Criador. O mesmo Criador que dizem chamar primeiro os bons e os justos para junto de si. Lá em Passo Fundo, cercado de seus familiares e amigos, Laureno cerrou os olhos para sempre.

Certa feita Sêneca disse que “a mais bela morte é morrer de tal maneira que o desaparecimento seja pranteado tal como foi reconhecida a vida. Viver é durar; já afirmou alguém. E durar é aderir as coisas boas da vida”. E Laureno conseguiu tudo isso.

Hoje, Laureno repousa nas ‘Coxilhas das terras do Criador’, onde sopra o ‘Minuano Celeste’. Aqui ficamos a lamentar a lacuna que se fez nesta comunidade. Como sempre, perto de um grande homem existe uma notável mulher. E por isso temos certeza que obra irá continuar. Laureno transmitiu condições para tal. Essa família mesmo chorando é forte.

Daqui, modestamente, quebrando inclusive uma auto promessa, saindo desta clausura jornalística, estamos a manifestar nosso pensamento, que por certo representa toda comunidade. Aproveitamos para sugerir que o nome de Laureno seja perpetuado batizando com ele uma de nossas ruas. Os poderes Executivo e Legislativo, unidos, devem homenagear Laureno. Ele merece! Ele deu-nos uma lição de vida.

MANOEL AFONSO

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