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Geral

MS: Doutora quer criar vacina contra a brucelose bovina

Fernanda Silveira - 20 de maio de 2004 - 11:01

Desenvolver uma vacina genuinamente nacional contra a brucelose. O desafio foi lançado pela pesquisadora Elena Mettifogo, aprovada para o Programa de Desenvolvimento Científico Regional (DCR), da Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino, Ciência e Tecnologia do Estado de Mato Grosso do Sul (Fundect).

A pesquisa, já iniciada, terá apoio financeiro de R$ 47.370,89 da Fundação e será desenvolvida durante três anos na Embrapa Gado de Corte, em Campo Grande. Nesse período, a pesquisadora receberá bolsa mensal de R$ 2,8 mil do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico).

Médica veterinária e doutora em microbiologia pela Universidade de São Paulo, Elena conta que o projeto está inserido nos objetivos do Programa Nacional de Controle e Erradicação da Tuberculose e Brucelose, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

De acordo com ela, o estudo irá investigar o papel das proteínas do sistema de transporte de moléculas da Brucelas abortus, agente da brucelose bovina, e sua importância na capacidade de induzir resposta imune e proteção contra a doença.

A pesquisadora diz que atualmente são utilizadas duas vacinas para imunizar o rebanho brasileiro contra a brucelose. Ambas são importadas. Segundo ela, os resultados alcançados com o estudo poderão ser aplicados em Mato Grosso do Sul e também ser transferidos para outras regiões e países nos quais a brucelose causa sérios prejuízos.

Conforme Elena, os testes da vacina serão realizados primeiramente em camundongos. Ela completa que a aplicação de vacinas como meio de controle e erradicação da brucelose proporciona diminuição dos sintomas da doença, queda de perdas com abortos, tratamento de animais com retenção de placenta, de bezerros nascidos fracos e com o descarte de animais positivos.

Além dos prejuízos econômicos para a cadeia produtiva da bovinocultura, a brucelose leva ao descrédito no mercado internacional.

Sob o título “Avaliação de proteínas recombinantes do sistema de secreção tipo IV de Brucella abortus como potenciais imunógenos”, o estudo visa contribuir para a pesquisa básica da qual, segundo Elena, o Brasil é bastante carente. 'O trabalho de pesquisa é envolvente, porém sofre com a falta de tradição e reconhecimento', conta.


Integração

Além da doutora pela USP, participam do projeto quatro pesquisadores colaboradores da Embrapa Gado de Corte, dois da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, um da Universidade Federal do Paraná e outro da Embrapa Sobral. Também devem integrar a pesquisa alunos de Iniciação Científica e de pós-graduação. Elena estima que do estudo devem resultar teses de doutorado, dissertações de mestrado, artigos e apresentações em congressos.

Segundo a pesquisadora, o Programa DCR é uma oportunidade ímpar para o desenvolvimento e consolidação da pesquisa científica em Mato Grosso do Sul. Elena afirmou ainda que se trata de uma boa experiência e que, sobretudo, vai gerar conhecimento.

O Programa DCR selecionou sete pesquisadores doutores que estão chegando a Mato Grosso do Sul para iniciar os trabalhos de pesquisa. O objetivo da Fundect é contribuir para consolidação de uma base científico-tecnológica capaz de projetar setores e atividades consideradas de importância estratégica para o desenvolvimento econômico e social do Estado.

Mais informações pelos telefones 351-2550 ou 9902-4830.