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Geral

BC mantém o otimismo, apesar do nervosismo do mercado

Stênio Ribeiro/ABr - 17 de maio de 2004 - 10:35

O nervosismo que tomou conta do mercado financeiro nas últimas semanas contaminou, também, as apostas no controle da inflação, e os analistas de mercado consultados pelo Banco Central, na última sexta-feira, indicam alta anual nos principais indicadores de preços, tanto no varejo quanto no atacado. É o caso, por exemplo, do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), cuja previsão, na semana anterior, era de fechar 2004 em 6,12%, e agora pulou para 6,17%, embora a deste mês tenha caído de 0,43% para 0,37%.

No longo prazo, também houve acréscimo nas estimativas do IPCA para 2005. Passou de 5% para 5,10%. No atacado, as estimativas, que já eram altas, evoluíram mais ainda. O prognóstico para o Índice Geral de Preços com Disponibilidade Interna (IGP-DI) aumentou de 8,51% para 9%, seguido de perto pelo Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M), que foi de 8,82% para 8,90%.

O único indicador de inflação que permanece abaixo da meta oficial de 5,5% é o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) medido pela Fundação Instituto de Pesquisa Econômica (Fipe) da Universidade de São Paulo (USP) - manteve a previsão da semana passada de 5,39% ao ano.

De acordo com o boletim Focus, divulgado hoje pelo BC, as previsões continuam otimistas, porém, com relação ao saldo da balança comercial, que deve encerrar o ano com superávit de US$ 25,3 bilhões, contra US$ 25 bilhões, na semana passada. O reflexo é direto no saldo externo de contas correntes, cuja previsão evoluiu de US$ 2 bilhões para US$ 2,3 bilhões.

Em contrapartida, os analistas estimam queda gradativa dos investimentos diretos estrangeiros. A estimativa de entrada de US$ 13 bilhões no setor produtivo, há quatro semanas, caiu agora para US$ 12 bilhões, arrastando também a previsão para 2005 (de US$ 14,50 bilhões para US% 14,25 bilhões). Esses números se enquadram num cenário no qual a taxa de câmbio seja de R$ 3,05, no final do ano, embora tenha encerrado a última semana num patamar mais alto: de R$ 3,09.

O mercado mantém, ainda, a expectativa de que a taxa básica de juros (hoje de 16% ao ano) caia para 14% até dezembro deste ano, com possibilidade de redução de 0,25 ponto percentual na reunião que o Comitê de Política Monetária (Copom) fará amanhã e depois (18 e 19), apesar da pressão inflacionária, dos preços altos do petróleo e da ameaça de aumento dos juros norte-americanos.

O que mais preocupa os analistas de mercado, no entanto, é a perspectiva de aumento da relação entre a dívida líquida do setor público e o Produto Interno Bruto (PIB), cuja estimativa era de 56,50%, há um mês, e agora evoluiu para 56,90%, elevando também de 55% para 55,20% a previsão para o ano que vem. Esse comportamento influencia negativamente no chamado risco-país.