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Um dia após apreensões, Camelódromo amanhece fechado

Maristela Brunetto e Aline Queiroz/Campo Grande News - 30 de maio de 2006 - 10:01

Os donos de boxes e vendedores do Centro Comercial Popular Marcelo Barbosa, o Camelódromo, decidiram não trabalhar esta manhã em protesto a ação desenvolvida ontem no local para a apreensão de produtos pirateados, comandada pela Unicoc (Unidade Integrada de Combate a Organizações Criminosas).

Policiais civis e militares participaram da ação, que foi desencadeada à noite. Chegou a haver tumulto no local, inclusive com registro de ocorrência na Polícia Civil. Esta manhã, havia pelo menos 200 pessoas do lado de fora.

Eram donos de pontos e funcionários dizendo que não abririam os boxes. Há 494 pontos de venda no Camelódromo. Muitos trazem produtos do Paraguai, outros vendem CD’s e DVD’s pirateados.

Edmar Nunes, de 32 anos, teve material pirata apreendido. Ele afirma que produtos originais também foram levados. Ele classificou a ação policial de violenta e disse ter se sentido “como cachorro”.

Esta manhã, ele engrossava o coro dos que protestavam e decidiram não trabalhar. “Não é isso que eles querem”, questionou fazendo referência ao Ministério Público, que comandou a ação.

Vendedor no Camelódromo, um funcionário que não quis se identificar também lamentou a ação. Segundo ele, foram levados cerca de mil CD’s e o mesmo número de DVD’s do box onde trabalho. “Todo mundo que trabalha com essa mercadoria teme”.

Ele foi além na avaliação, dizendo que muita gente vai ao local comprar os produtos pirateados, mas essa movimentação impulsiona o consumo de outros produtos, em boxes vizinhos. O vendedor disse que atua há cinco anos no local e já viu pelo menos quatro ações contra a venda de produtos pirateados.

Outra vendedora, que também não quis ter o nome divulgado, defendeu a venda em função dos altos preços de CD’s e DVD’s. Para ela, deveria haver um valor mais popular. “O pobre não pode assistir ou ouvir música? Tem que ver só o que passa na TV?”. Segundo ela, a prefeitura, que é dona do espaço, adverte para a proibição da venda de produtos piratas.

A aposentada Terezinha Alves dos Reis, de 68 anos, reconheceu tratar-se de produto irregular, mas se solidarizou com vendedores e donos de boxes. Para ela, deveria ter ocorrido um alerta, em vez da apreensão.

O grupo prometia seguir para a Prefeitura de Campo Grande para prosseguir com o protesto. Toda a mercadoria- somando cerca de 70 mil unidades- foi encaminhada para a sede do Unicoc para contagem. A apreensão excluiu CD’s e DVD’s de artistas locais. No começo do ano, em decorrência das ações contra a pirataria, houve cassação de alvarás de quem vendia os produtos.

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