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Soja: Vespa de ''laboratório'' é arma biológica

Lana Cristina/Agência Brasil - 30 de setembro de 2003 - 10:47

A vespa de nome científico Trisolcus basalis, descoberta pela Embrapa Soja, é o inimigo ideal para combater o percevejo, inseto que ataca a soja. Mas a tecnologia, no entanto, não foi transferida aos produtores de todo o país, porque não foi possível, no atual estágio, produzir de acordo com a demanda, conforme relata o pesquisador Lineu Domit.
Essa é uma das armas biológicas que a ciência produziu para contribuir com a adoção do plantio ecológico, sem uso de defensivos químicos. No caso da soja, a outra estratégia é o baculovírus. Como o nome próprio denuncia, é um vírus que, retirado de dentro da lagarta que ataca a soja, torna-a fraca e indefesa e provoca sua morte precoce, antes que cause maiores prejuízos.

Hoje, o inseticida biológico contra a lagarta da soja é aplicado em 1 milhão de hectares no país, contribuindo para preservar o meio ambiente e evitando que 1,2 milhão de litros de inseticidas químicos sejam despejados por safra nas lavouras de soja. Trata-se do maior programa de controle biológico no mundo e foi desenvolvido a partir do trabalho de pesquisadores da Embrapa entre os anos 70 e 80.

Desde 1990, o Brasil economiza, por ano, cerca de US$ 10 milhões com este produto. Os agricultores também economizam, pois o baculovirus é de 20 a 30% mais barato do que o agrotóxico. O produto é exportado para a Argentina, Paraguai, Bolívia e Colômbia e já começou a ser testado no sul dos Estados Unidos.

Domit conta que o combate ao percevejo só não é mais ingrato porque, na região onde há mais soja orgânica (do Paraná até mais ao sul do país), a ocorrência do inseto não é tão intensa. Segundo Nelson Hammes, da Cotrimaio, a lagarta da soja também pode ser combatida com óleo de Nim, uma planta originária da Índia, que contém como princípio ativo um eficaz repelente de insetos. O fede-fede, como é conhecido o percevejo na região do Rio Grande do Sul, onde a Cotrimaio atua, é na verdade "prevenido" por ações de manejo. "Recomendamos que os produtores usem variedades de ciclo médio, para não haver proliferação do inseto", conta.

Na adubação, os produtores de soja orgânica usam uréia como fonte de nitrogênio, substância naturalmente presente no solo, essencial para o crescimento de culturas em geral, mas de difícil absorção por parte das plantas. Outras substâncias naturais entram no processo de adubação, como o sulfato de potássio, que fornece o potássio, e o fostato natural, que fornece o fósforo para a planta. Nesse caso, em vez dos produtos químicos correspondentes, os agricultores usam os minerais extraídos da rocha. Além disso, também é muito usado o esterco de animais. As ervas daninhas, em pequenas propriedades, são retiradas por meio de capina manual. Nas maiores, os produtores usam roçadeiras especiais que capinam só nas entrelinhas, de modo que não atinjam as plantas.

Os argumentos dos que são contrários ao plantio de orgânicos são rebatidos pelo diretor técnico da Terra Preservada. "Dizem que a produtividade cai, o que realmente pode acontecer nos primeiros anos de plantio, chamados de conversão. Mas o produtor retira essa diferença no preço da saca", defende. Além disso, Luiz Cláudio Bona compara transgênicos e convencionais aos orgânicos. "Num sistema de plantio convencional ou transgênico, 100% dos insumos estão fora da propriedade e o recurso para sua aplicação vem de bancos. Isso leva a uma dependência do produtor", observa.

Ele completa sua argumentação: "já no orgânico, gradativamente, constrói-se uma autonomia em relação aos insumos, na medida em que se usa a adubação verde, a roçagem é feita manualmente, a correção com fosfatos naturais e caldas ecológicas, e isso promove uma recuperação química, física e biológica do solo". A diferença, para ele, é que a produção orgânica tem enfoque na saúde do sistema de plantio, ao recuperar o solo, e a produção convencional ou transgênica vê a adubação como o alimento para a planta, sem enquadrar as conseqüências para o solo, inclusive para os próximos plantios. “É incalculável a perda de solos em sistemas ditos convencionais ou mesmo transgênicos, com o uso de defensivos agrícolas”, explica.

Já para Hammes, a produtividade no sistema orgânico é comprovadamente maior desde o primeiro ano de conversão, em comparação com o sistema convencional, porque não há a competição entre a planta comercial e a daninha, já retirada no início do plantio. Ele apresenta ainda uma comparação com o sistema da soja transgênica cultivada na Argentina, por exemplo. "Lá, eles começaram a plantar a soja RR usando meio litro de glifosato. Agora, as ervas daninhas apresentam resistência ao herbicida e chega-se a aplicar de quatro a cinco litros do produto", relata.

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