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Saúde muda embalagens das camisinhas para incentivar uso

Irene Lobo/Agência Brasil - 19 de setembro de 2003 - 17:15

Mudar a embalagens dos preservativos é a nova estratégia do Ministério da Saúde para incentivar o uso da camisinha, principalmente por travestis, adolescentes, mulheres e homens com mais de 45 anos. Segundo o diretor do Programa Nacional de Doenças Sexualmente Transmissíveis e Aids do Ministério da Saúde, Alexandre Grangeiro, esses grupos são atualmente os mais vulneráveis à doença. O Ministério da Saúde é responsável pela distribuição de 35% a 40% dos preservativos consumidos no país.

Os novos preservativos terão três embalagens diferentes: para o público jovem, com frases do tipo “use a camisinha neste momento, nesta circunstância”; uma vermelha com corações brancos e uma azul, com desenhos de pequenas plantas e vegetais. “A intenção, ao diversificar a embalagem, é mostrar que o preservativo pode estar associado a uma relação prazerosa, do cotidiano do indivíduo, e que, portanto, deve estar com ele em todo momento”, explicou Grangeiro. Segundo ele, a iniciativa de mudar as embalagens surgiu depois que uma pesquisa realizada pelo Ministério da Saúde detectou que a marca e o desenho do preservativo eram os principais fatores que motivavam o seu uso.

Além de propor o uso da camisinha, campanhas específicas também vão incentivar a população brasileira a realizar o teste de diagnóstico do HIV. Estimativas oficiais apontam que existem 300 mil pessoas infectadas com o vírus, sem saber. “O desconhecimento é um prejuízo, porque impede que a pessoa tenha acesso aos serviços de saúde. Embora a Aids não tenha cura, é uma doença tratável. Quanto mais cedo o indivíduo conhecer o seu prognóstico, aumentam as possibilidades de ele ter melhor qualidade de vida”, completou Grangeiro.

Sobre a necessidade de intensificar as campanhas destinadas a travestis, Grangeiro afirmou que o grupo está sendo fortemente atingido pela epidemia, além de ser altamente estigmatizado e marginalizado. A estimativa é de que o risco de infecção no grupo seja 11 vezes maior do que na população em geral. “A intenção é fazer com que esse grupo recupere a sua auto-estima, fortaleça um comportamento seguro e que possa a partir daí negociar o uso do preservativo com o cliente, que possa buscar o diagnóstico do HIV e indicar situações que garantam maior segurança para ele e um maior cumprimento dos seus direitos civis”, explica.

A campanha também estará voltada para os homens com mais de 45 anos, que segundo o Ministério da Saúde são os que compram menos preservativos, e para os adolescentes, que iniciam a vida sexual cada vez mais cedo. “Nós devemos dar a opção do uso do preservativo. Evitar a gravidez precoce também é outra meta e nós acreditamos que com a campanha o jovem pode tomar a decisão de iniciar a relação sexual com o uso do preservativo”, pontua Grangeiro.

A presidente do Grupo Arco-Íris e coordenadora do Fórum de ONGs Aids do Distrito Federal, Ana Paula Prado, de 34 anos, apóia as mudanças. “É fundamental que a gente consiga estar discutindo e conversando sobre sexo, Aids, DSTs, mudanças de comportamento e o uso do preservativo o tempo inteiro”, afirma a ativista, que é soropositiva há seis anos e membro da rede nacional de pessoas vivendo com Aids.

No Brasil existem 597 mil pessoas infectadas pelo vírus HIV na faixa etária de 15 a 49 anos. A doença é a segunda causa se óbitos entre homens jovens e a quarta causa entre mulheres. Cerca de 21 mil novos casos de aids são descobertos todos os anos. Os dados são do Ministério da Saúde.

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