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Saúde institui Dia Nacional de Doação do Leite Humano

Irene Lôbo/Agência Brasil - 03 de outubro de 2003 - 09:27

Em comemoração à Semana Mundial da Amamentação, que acontece de 1º a 7 de outubro, o ministro da Saúde, Humberto Costa, assinou ontem uma portaria que institui o dia 1º de outubro como o “Dia Nacional de Doação do Leite Humano”. O Brasil possui a maior e mais complexa rede de bancos de leite do mundo, com 163 unidades, e a medida tem como objetivo apoiar a prática da amamentação natural para o combate à desnutrição e à mortalidade infantil e também difundir e possibilitar a troca de tecnologia em bancos de leite entre países co-irmãos da América Latina.

O governo brasileiro está investindo na expansão e qualificação da Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano, reconhecida pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Serão elaborados convênios com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) para o reequipamento da rede e com o Instituto Materno Infantil de Pernambuco (IMIP) para viabilizar a instalação de dez novos bancos de leite nas regiões Norte e Nordeste. A tecnologia brasileira já é compartilhada com a Venezuela, onde existem cinco bancos em funcionamento e projeto de criação de mais 13 unidades.

Em cerimônia comemorativa à Semana Mundial da Amamentação, o ministro Humberto Costa homenageou a doadora mais antiga de leite materno no país, Ilza Pereira da Silva, que doou leite pela primeira vez em 1968. Também foram homenageados um banco de leite e 13 hospitais de referência na prática do Mãe-Canguru, método no qual as crianças que nascem com baixo peso ficam em contato com o corpo da mãe até que alcancem o peso ideal.

Costa lembrou que a luta para o incentivo ao aleitamento materno tem que ser um compromisso permanente de todas as autoridades sanitárias do país. “O aleitamento é fundamental para a garantia da saúde da criança, para a garantia da redução dos indicadores de desnutrição, para a redução da mortalidade materna e para que nós possamos de fato desempenhar uma política integral para a criança recém-nascida na medida em que ela contribui para a promoção da saúde, a prevenção e a recuperação da própria criança”.

Amamentar, como lembrou o ministro, pode ser muito mais do que um gesto de amor. O aleitamento materno também é a melhor estratégia para combater a desnutrição e a mortalidade infantil, que de acordo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), foi de 28,3 crianças menores de um ano a cada mil nascidas vivas no ano de 2000.

O início da amamentação pode ser um processo doloroso. Muitas mulheres reclamam de rachaduras no seio e acabam não amamentando seus bebês, sem saber dos benefícios que o aleitamento materno produz. Por isso, na opinião da professora de enfermagem da Universidade de Brasília (UnB), Jane Dytz, a mulher deve ser preparada para a amamentação desde o pré-natal. “O primeiro leite é o colostro, um leite grosso, amarelo, gorduroso, com propriedades imunológicas muito importantes, mas ele é pouquinho e em seguida vem o leite maduro. Se o seio não é esvaziado a cada duas ou três horas, o leite endurece no seio, ou como popularmente se diz, o leite ‘empedra’. Quando isso acontece, a mãe deve massagear o seio, usar calor, água morna e tentar diminuir a ansiedade, que também atrapalha a descida do leite”, explicou Jane.

A amamentação também traz inúmeros benefícios para a mãe e para o bebê. No caso da mulher, amamentar ajuda a contrair o útero, diminui o risco de anemia, de osteoporose na idade adulta, de contrair o câncer de mama e ajuda a mulher a voltar ao peso normal mais rapidamente. O bebê que é amamentado corre menos riscos de pegar infecções, tem menos diarréia e melhor desenvolvimento psicomotor e emocional. Um estudo feito na Nova Zelândia, durante 18 anos, com mais de mil crianças, provou que aquelas que foram amamentadas eram mais inteligentes e tinham maior sucesso na escola e universidade.

A dona de casa Luciana, que há um mês teve sua segunda filha, se sente segura por estar amamentando a pequena Nadine. “Para mim amamentar é a melhor coisa. Eu acho lindo, eu gosto de amamentar, fortalece e o neném não pega nenhum tipo de doença, ela é super forte porque eu amamento”.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde os bebês deveriam ser amamentados, com complemento, no mínimo até o segundo ano de vida.

A Semana Mundial da Amamentação, idealizada pela Aliança Mundial para Ação em Aleitamento Materno, da Organização Mundial de Saúde (OMS), é comemorada desde 1992 em mais de 120 países. O tema desde ano é “Amamentação: semeando paz e amor em qualquer lugar do mundo”. No Brasil, a semana é coordenada pelo Ministério da Saúde desde 1992 e tem o apoio das Secretarias Estaduais e Municipais de Saúde, ONGs, Organismos Internacionais, Bancos de Leite Humano, entre outros.

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