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Sarney tem mais mandatos que Ruy Barbosa

Teresa Cardoso / Agência Senado - 02 de fevereiro de 2009 - 12:51

Maranhense e, há 18 anos, representante do Amapá no Senado, o senador José Sarney é o brasileiro que mais exerceu mandatos eletivos no período republicano. Ruy Barbosa teve 33 anos de mandatos. Sarney se elege há 50 anos: em 1959, chegou à Câmara para seu primeiro mandato como deputado eleito.

Desde 1971, Sarney ganhou cinco eleições para o Senado, as três últimas como representante do Amapá, para onde transferiu seu domicilio eleitoral depois que deixou a presidência da República.

Na condição de chefe do Executivo, depois da morte de Tancredo Neves, em 1985, coube a Sarney, reconhecido por sua capacidade de aglutinação política, conduzir o país de volta à democracia, depois de 20 anos de regime militar. Naquele mesmo ano, convocou a Assembléia Nacional Constituinte.

Nascido em Pinheiro (MA), com o nome de José Ribamar Ferreira de Araújo Costa, adotou legalmente em 1965 o nome de José Sarney, que já usava para fins eleitorais por ser conhecido no Maranhão como "Zé do Sarney", numa alusão a "José, filho do Sarney".

Na juventude, ao lado de Bandeira Tribuzzi, José Bento, Ferreira Gullar e outros, fez parte do movimento literário difundido pela revista A Ilha, que lançou o pós-modernismo naquele estado. Entre 1966 e 1971, ele governou o Maranhão. Integrou a UDN, foi líder do governo Jânio Quadros na Câmara, presidiu a Arena e o PDS e hoje integra o PMDB.

Político desde 1955, ano em que foi eleito suplente de deputado, ele só tornou-se titular de um mandato eletivo nas eleições de 1958. Formado em Direito, é jornalista, pintor, poeta e ficcionista, integrante da Academia Brasileira de Letras e da Academia de Ciências de Lisboa.

É assumidamente também um supersticioso e hipocondríaco. Foge da cor marrom e costuma sair pela mesma porta por onde entrou, com medo de perder-se do seu anjo da guarda. Sobre o medo de doença, costuma brincar, dizendo: "não sou hipocondríaco. Eu sou é doente mesmo".

Como senador, é autor de 48 projetos de lei, entre eles um que concede às pessoas carentes anistia nas taxas de ocupação devidas, nos últimos cinco anos, pelo uso de imóveis da União em terrenos de marinha; e um dando ao Tribunal de Contas da União competência para julgar as contas de qualquer pessoa física ou jurídica que administre dinheiros, bens e valores públicos.

Paralelamente à sua carreira política, Sarney é autor de contos, crônicas, ensaios e de três romances: O dono do mar, Saraminda e A duquesa vale uma missa, todos com forte conteúdo erótico. É também colunista do jornal Folha de S.Paulo.

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