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Geral

Oito presídios paulistas estão ''bastante danificados''

Marli Moreira/ABr - 17 de maio de 2006 - 06:10

O secretário de Administração Penitenciária, Nagashi Furukawa, informou que metade das unidades prisionais do estado, totalizando 74, foi atingida pelas rebeliões inciadas na última sexta-feira (12). "Oito delas estão com as instalações bastante danificadas, entre elas a Penitenciária de Valparaíso, na região Oeste", disse. Nessa unidade, que tem capacidade para 672 presos, estão 965 detidos.

Por mais de uma vez, em entrevista coletiva hoje (16), Furukawa negou ter ocorrido qualquer tipo de negociação para o fim dos ataques atribuídos à facção Primeiro Comando da Capital (PCC). A divulgação, por um jornal da capital, de que teria havido acordo com o principal líder da PCC, Marco Camacho, conhecido como Marcola, foi classificada pelo secretário como "um ato irresponsável e leviano".

Para Furukawa, o controle da situação foi obtido porque "a Polícia de São Paulo respondeu à altura". Ele admitiu, no entanto, ter permitido "em caráter atípico" a visita da advogada Iracema Vaseiaveco, apresentada a ele pela Polícia Civil. Furukawa contou que mesmo não sendo defensora de Marcola ela queria checar se o líder da facção "estava ou não machucado" e que se fossem constatadas as boas condições físicas do preso, haveria disposição em parar com os ataques, "se a Polícia Militar não viesse fazer esculacho com os presos, como dizem na gíria deles".

A advogada foi levada até o líder do PCC, que é mantido isolado no presídio de Presidente Bernardes, considerado de segurança máxima, em um avião da Polícia Militar, na tarde de domingo (14), junto com três representantes da força de segurança paulista – o coronel Ailton Araújo Brandão, do Comando de Policiamento do Interior; o corregedor da Secretaria, Antonio Ruiz Lopes, e o vice-diretor do Denarc (Departamento de Investigaçtes sobre Narcóticos), José Luiz Cavalcanti.

Furukawa também negou ter cedido a pedidos de Marcola, como o de saídas para banho de sol. Confirmou, no entanto, ter permitido a entrada de aparelhos de TV nas áreas comuns das unidades, sem ônus ao estado, e disse que está sendo estudada a mudança de cor do uniforme dos detentos, de laranja para cáqui.

O clima de insatisfação dos detentos surgiu após a transferência de 765 deles para a unidade de Presidente Wenceslau, na quinta-feira (11). Na opinião do secretário, "não houve erro estratégico" nessa ação. Quanto à entrada de telefones celulares nos presídios, Furukawa afirmou ser difícil impedir, porque "os aparelhos estão cada vez menores e com mais tecnologia agregada". E acrescentou que "as operadoras deveriam assumir a responsabilidade social de desenvolver uma tecnologia capaz de inibir a utilização dentro dos presídios".

De acordo com uma lista divulgada pela Secretaria de Administração Penitenciária, neste ano já ocorreram 114 rebeliões, das quais 74 nos últimos quatro dias, quando nove presos foram mortos.

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