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O que significam os termos gringos que o coronavírus colocou na rotina

Campo Grande News - 26 de março de 2020 - 16:00

Para algumas profissões, usar termos em inglês faz parte do dia-a-dia. Publicitários entendem do que se trata quando o cliente diz que precisa de um "feedback" sobre o "briefing" porque o "deadline" está estourando. Mas a pandemia de COVID-19 introduziu em nossas rotinas muito mais do que hábitos de higiene, por vezes esquecidos. Ler e ouvir termos como “home office” e “take away” agora fazem parte do nosso vocabulário também.

Utilizar termos de outras línguas faz parte do cotidiano do publicitário Josué Sanches, a começar pela profissão: ele também é proprietário de um coworking. O local é um espaço compartilhado onde pessoas alugam por mês ou hora para realizar trabalhos de escritório, sem que precisem ser dono de um prédio ou sala comercial.

“Antigamente esses termos em inglês estavam até no nome dos planos que vendia, mas nem todos os clientes conseguiam entender. Então, em 2019 passamos por uma reestruturação até nisso. Acho que por eu ser da área da publicidade, acabei importando essas expressões no dia-a-dia”, justifica.

O conforto em usar termos de outras línguas não é realidade de todos, mas passou a ser mais frequente com as notícias sobre o coronavírus. O professor e doutor em língua inglesa Flávio Rocha explica que, por a pandemia ter abrangência mundial, termos do inglês tendem a se tornar ainda mais frequentes.

“Com o surgimento da pandemia do COVID-19, algumas dessas palavras tem se tornado corriqueiras, como home office ou telecommute, para referir-se ao trabalho remoto, take away, para descrever a retirada de refeições em restaurantes para consumo em casa. Além dessas, notamos o uso frequente do termo delivery, que significa entrega em domicílio e boom para expressar o surgimento de algo, como o boom do coronavírus, por exemplo”.

O professor também lembra do termo Fake News, que, apesar de já conhecido por muitos, voltou a ser utilizado com frequência nos últimos meses. “Ouve-se falar muito em fake news também e, embora o termo ja venha sendo utilizado desde as eleições presidenciais, ele tem sua ideia reforçada quando se procura alertar as pessoas sobre notícias veiculadas sem embasamento científico”.

Onde surgiu? – Flávio explica que adicionar termos de outra língua ao vocabulário é chamado de “estrangeirismo” e, por causa da abrangência geográfica do idioma, palavras em inglês são as mais comuns. “Com o advento da tecnologia e do poder econômico estadunidense, vemos um crescimento no número de vocábulos emprestados. Há diferentes posicionamentos a respeito disso. Na minha opinião, isso não causa necessariamente um empobrecimento do português, embora, é claro, nós tenhamos palavras que expressem as mesmas ideias”, opina.

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