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Geral

Mulheres bissexuais e lésbicas terão cartilha

Mylena Fiori/ABr - 06 de junho de 2006 - 06:29

Uma cartilha com dicas de saúde para lésbicas e mulheres bissexuais será lançada pelo Ministério da Saúde na próxima semana, durante as atividades da 10ª Parada do Orgulho de Gays, Lésbicas, Bissexuais e Transgêneros de São Paulo, nos dias 15 a 17.

A iniciativa foi motivada pela baixa procura, por parte dessa população, por consultas ginecológicas e serviços do Sistema Único de Saúde (SUS). Deve-se também à constatação, pelo ministério, de que o tratamento da sexualidade de lésbicas e bissexuais recebe abordagem inadequada dos profissionais de saúde.

Segundo Daphne Rattner, técnica da área da Saúde da Mulher do ministério, o diagnóstico foi feito após reunião, em 2004, com representantes de grupos de lésbicas de diversas regiões do país. "Uma das queixas era a de que as mulheres não procuram os serviços de saúde porque se sentem pouco à vontade. Por outro lado, os profissionais não estão preparados para lidar com a especificidade da mulher lésbica", informou. E acrescentou: "Os profissionais muitas vezes perguntam apenas se a mulher é casada. Se for solteira, não perguntam se exerce a sexualidade e perdem uma oportunidade de fazer as orientações que talvez fossem necessárias".

O despreparo no atendimento desse público pelo SUS foi constatado pela assistente social Gláucia Elaine de Almeida, em tese de doutorado elaborada no Instituto de Medicina Social da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj). "Quando elas encontram atendimento no SUS, não recebem as orientações preventivas adequadas e, às vezes, também não recebem assistência médica mais completa que considere a importância das práticas desenvolvidas e da cultura sexual dessas mulheres", afirmou.

Na avaliação da assistente social, o fato de o SUS não trabalhar a orientação sexual como uma variável importante no atendimento inibe a possibilidade de as mulheres lésbicas e bissexuais discutirem suas práticas sexuais – inclusive a possibilidade de "negociação" de sexo seguro com a parceira. "Sem espaço para discutir essas práticas, elas se tornam mais vulneráveis que as mulheres heterossexuais", destacou.

Essa é uma das questões abordadas na cartilha Chegou a Hora de Cuidar da Saúde. Entre outras dicas, a publicação aconselha: "Quando procurar um profissional de saúde, não tenha medo de falar sobre seus desejos e práticas sexuais".

A cartilha foi elaborada pela Área Técnica da Saúde da Mulher, em parceria com o Programa Nacional de Hepatites Virais e o Programa Nacional de DST/Aids, do Ministério da Saúde, por representantes de movimentos sociais e por especialistas do meio acadêmico.

Organizações não-governamentais vinculadas à Liga Brasileira de Lésbicas, à Articulação Brasileira de Lésbicas e a outras entidades que trabalhem com lésbicas e mulheres bissexuais distribuirão os 10 mil exemplares da publicação.

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