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MS - A desnutrição das crianças de áreas indígenas

Agência Notisa - 14 de abril de 2006 - 11:17

Pesquisa mostra que cerca de 20% das mães das crianças não realizaram o pré-natal, que mais da metade pariu no próprio domicílio, e que um terço das crianças nasceu com baixo peso, o que pode ter contribuído para o resultado.


No estado do Mato Grosso do Sul, vivem dois subgrupos indígenas, o Kaiowá e o Guarani. Eles ocupam 28 áreas indígenas da região sul do estado e têm uma população de aproximadamente 30 mil indivíduos. No entanto, os índios Kaiowá e Guarani sofreram, ao longo dos séculos, transformações sociais, econômicas e ambientais, que conduziram a mudanças negativas na sua qualidade de vida. A expulsão de suas terras, a degradação ambiental e a fome e a miséria em que vivem são alguns exemplos que contribuíram para uma nova realidade. Os índices de nutrição mostram que cerca de 20% das crianças com até 59 meses de idade são desnutridas. Os dados fazem parte de um trabalho desenvolvido por pesquisadores da Universidade de São Paulo e da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul.

Os objetivos do estudo foram verificar o estado nutricional de 137 crianças indígenas Kaiowá e Guarani e conhecer as condições de saúde materno-infantil. De acordo com artigo publicado nos “Cadernos de Saúde Pública”, “o trabalho de campo consistiu em duas etapas: entrevista e avaliação nutricional, realizadas no domicílio das crianças e contou com a colaboração dos agentes indígenas de saúde (AIS) que facilitaram o diálogo e o aceite dos familiares. Na entrevista foi aplicado um questionário, especificamente elaborado e que foi pré-testado, sobre as condições de saúde materno-infantil. A maioria das informações foi fornecida pelas mães”.

Os especialistas observaram que 30,4% das crianças nasceram com baixo peso ao nascer. “Este número pode ser subestimado, visto a elevada ocorrência de crianças (64,4%) que não tinham registro de peso ao nascer, sobretudo as nascidas nos domicílios e as que não tiveram acompanhamento pré-natal”, afirmam no artigo. Eles constataram também que uma elevada proporção de crianças estava desnutrida. Segundo o índice peso/idade, a proporção de crianças desnutridas foi de 18,2% e segundo o índice altura/idade, de 34,1%. A partir do sexto mês de vida, todas as faixas etárias apresentaram déficits nutricionais. Eles destacam a influência das precárias condições sócio-econômicas, ambientais e de saúde dos índios podendo favorecer o aparecimento da desnutrição.


A equipe alerta para outros dois dados importantes: cerca de 20% das mães não realizaram o pré-natal e 53,3% do total pariram no domicílio. “A não realização do pré-natal pode aumentar o risco de morbidade e mortalidade materna e perinatal entre mães indígenas e seus filhos. Constatou-se que as mães cujos filhos nasceram em épocas mais recentes receberam assistência pré-natal com maiores chances de cuidado hospitalar no parto. Contudo, as dificuldades de transporte e a demora no atendimento à gestante no momento do parto constituem limitações que devem ser equacionadas para garantir um parto seguro e humanizado, seja este no ambiente hospitalar ou domiciliar. Quanto ao parto domiciliar, este deve ser incluído nas políticas de atenção à saúde, uma vez que nessa comunidade a parteira é respeitada e reconhecida, entretanto, este trabalho deve estar articulado à rede de serviços oferecidos à população”.

Os pesquisadores destacam ainda a necessidade de um melhor serviço de saúde: “a evolução e a expansão da oferta de serviços de saúde têm buscado alternativas para reverter esta situação. No entanto, estas ações ainda são incipientes, não chegando a prover melhorias das condições de saúde materno-infantil e de nutrição desse povo”.

Agência Notisa (jornalismo científico – science journalism

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