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Língua portuguesa por Alcides Silva - Reavi ou reouve ?

Alcides Silva - 13 de abril de 2006 - 09:11

Língua portuguesa, inculta e bela!

Alcides Silva

Reavi ou reouve

O verbo reaver é derivado do verbo haver. Reaver é readquirir a posse, é recuperar, é haver de novo. É verbo irregular e defectivo: conjuga-se como haver, porém somente nas formas em que se mantém o ‘v’. No presente do indicativo, só se flexiona nas primeira e segunda pessoas do plural: reavemos – reaveis; no imperativo afirmativo, somente na 2ª do plural (reavei vós). Não possui presente do subjuntivo.
Embora possa soar mal, a forma correta para a primeira pessoa do singular no pretérito perfeito do indicativo do verbo reaver é eu reouve e jamais “eu reavi”. Se não gostar do correto, use o sinônimo: recuperei.

“Chegarei às 15 para as 2 horas”
Frases como essa têm uma diferença conceitual bem grande: O que significa esse indeterminado “às 15”? Há um termo oculto. “Chegarei às 15” (=horas)? “Chegarei aos 15” (minutos)?
O numeral “15” é palavra masculina, não admite crase. Como escrito, a idéia é de um partitivo e se esse for “minutos”, o correto é dizer-se “Chegarei aos 15 minutos para as 2 horas” (ou, aos quinze para as duas).

Eventual – provável – possível – potencial
Eventual: fortuito, o que pode ou não ocorrer, infreqüente, esporádico, casual, episódico: É um problema eventual (aquele que acontece de vez em quando).
Provável: o que tem possibilidade de acontecer, imprevisto, ocasional: Um provável problema (tem de tudo para se tornar um problema).
Possível: o que pode acontecer, aquilo que para cuja ocorrência não existe obstáculo, exeqüível, realizável: Um possível problema (o que pode se tornar um problema).
Potencial: o que pode vir a ser, o que existe em estado latente, aquilo que pode ser realizado, mas ainda não existe: Um problema potencial (ainda não é um problema, mas pode tornar-se).

Nunca jamais e outras negativas enfáticas
Talvez você já tenha lido ou ouvido falar que não se junta duas palavras negativas na mesma oração, porque menos com menos dá mais. Isso pode ser em matemática, ciências exatas ou nas línguas saxônicas, mas não em português.
É da índole da língua portuguesa a negativa enfática: “Gostava muito das nossas antigas dobras de ouro, e eu levava-lhes quantas podia obter; Marcela juntava-as todas dentro de uma caixinha de ferro, cuja chave ninguém nunca jamais soube onde ficava” (Machado de Assis, ‘Memórias Póstumas de Brás Cubas”, Editora Mérito, São Paulo, 1962, p. 69).
Uma outra negativa, esta posposta ao verbo, reforça e enfatiza a negação: “Não vou, não”- “Não vejo ninguém aqui” – “Ele não sabe nada” – ”O time não tem nenhuma chance de vencer” – “Não fiz esse trajeto nunca”. Na língua do povo, a dupla negativa é expressa por diversas maneiras: Não vi coisa nenhuma – Não vou de jeito maneira – Não entendi bulhufas - Ele não tem um pingo de vergonha.

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