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Ginasta lança campanha na net para custear tratamento

Thais Leitão , ABr - 29 de março de 2009 - 17:27

Rio de Janeiro - Com uma lesão considerada grave no punho direito, a ginasta Jade Barbosa decidiu recorrer aos fãs para arrecadar os recursos necessários para se manter no esporte e garantir o tratamento. A atleta lançou uma campanha em seu site oficial para vender camisetas com a sua marca. Jade reclama do descaso das entidades esportivas do país.

A ginasta disse que até agora não foi procurada por nenhum representante do Flamengo, clube que defende desde os 6 anos de idade, do Comitê Olímpico Brasileiro (COB) ou da Confederação Brasileira de Ginástica (CBG), que, segundo a atleta, sabia da lesão há mais tempo e não lhe relatou o problema.

Desde o fim das Olimpíadas de Pequim, ela descobriu a lesão que a impede de treinar no mesmo ritmo de antes e de competir em alto nível. Talvez seja necessário fazer uma cirurgia.

“Eles – a equipe da CBG – dizem que eu não pedi ajuda, mas não vou agora simplesmente chegar lá e pedir. Eles eram responsáveis por mim durante os quatro anos que passei em Curitiba, para treinar. Fui levada ao médico, mas nunca chegaram pra mim e disseram: ‘você tem esse problema, quer competir ou não?’ Ou ainda: ‘pára um tempo agora e depois volta.’ Também não recebi apoio, sequer um telefonema, das outras entidades”, reclama a adolescente de 17 anos, que conquistou medalha de ouro e de bronze nos Jogos Pan-Americanos de 2007 e foi eleita, no mesmo ano, a melhor atleta do país, pelo COB.

Com um olhar que não esconde a tristeza, ela evita dizer, no entanto, que guarda mágoa. Garante que prefere encontrar forças no apoio que vem recebendo dos fãs, da família e dos amigos.

“Tenho que me sustentar neles, que gostam de mim como Jade e não só como Jade Barbosa”, afirma a ginasta, que já faz planos. “Devo voltar a competir, talvez com uma mão só, em agosto. Não posso perder o ritmo das disputas, porque na próxima Olimpíada espero estar bem melhor.”

Jade acredita que, ao lançar a campanha de venda das camisetas pela internet, está chamando a atenção da sociedade para um problema que não é só dela.

“Muitas outras meninas já passaram por isso. A diferença é que eu ganhei medalha. E elas? Vão ter que ficar frustradas para o resto da vida. Eu sou exemplo para ginastas mais novas e não quero que nenhuma delas também sofra isso”, diz a atleta, que durante o treino foi abordada inúmeras vezes por meninas da categoria infantil do clube, que acenavam e mandavam beijos, sendo sempre correspondidas.

A presidente da Federação de Ginástica do Rio de Janeiro, Andréa João, também reclama da falta de apoio financeiro. De acordo com ela, a entidade quase precisou fechar as portas em 2006 por falta de verbas. Desde então, funciona em sua casa.

“O problema no país é ainda pior no Rio, porque, como o Comitê Olímpico Brasileiro funciona aqui, só ele recebe apoio financeiro dos governos estadual e municipal. As federações estaduais são deixadas de lado. Só que, para um atleta chegar a esse nível de competição, ele precisa treinar de oito a dez anos. E para isso não há recursos. Acabamos perdendo muitos talentos que desistem diante de tantas dificuldades”, lamentou.

As secretarias municipal e estadual de Esportes foram procuradas, mas até o fechamento dessa reportagem não haviam dado retorno. A Confederação Brasileira de Ginástica também não atendeu os telefonemas da reportagem da Agência Brasil. O Comitê Olímpico Brasileiro informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que não se pronunciaria sobre o caso. O Ministério do Esporte informou, também por meio da assessoria de imprensa, que repassa recursos para as confederações e que elas são as responsáveis pelo acompanhamento dos atletas.

Já o vice-presidente de Esportes Olímpicos do Flamengo, João Henrique Areas, informou que o clube enfrenta sérios problemas financeiros e que comunicou os atletas da impossibilidade de manter o esporte na entidade. Areas disse, ainda, que em nenhum momento foi procurado pela ginasta pedindo apoio médico.




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