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Dolar ultrapassa a barreira dos R$ 3

Agência Brasil - 02 de agosto de 2003 - 08:17

Uma conjunção de fatores internos e externos fez a semana encerrar com tensão no mercado financeiro. O dólar ultrapassou a barreira dos R$ 3,00, cotado a R$ 3,032 e o risco-país subiu 5,83%, para 835 pontos.
A crise culminou com o cancelamento da viagem que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva faria à África a partir de amanhã. Alguns analistas interpretaram essa desistência como sinal da preocupação de que a reforma previdenciária, a ser votada na próxima semana, sofra outras modificações.
Para o economista Mário Battistel, da Novação Corretora, o cenário internacional contribuiu para a queda do risco-país o mau desempenho do Brasil na operação de troca de títulos realizada na última terça-feira, em que os C-Bonds, principais títulos da dívida brasileira, foram aceitos aquém da expectativa. "A troca foi feita num mau momento, porque o governo americano estava colocando papéis com juros mais altos", comentou Battistel. Ele opinou que não se trata de uma crise de confiança internacional, mas de uma migração pelos títulos americanos em todo o mundo. Para ele, o movimento desta sexta-feira não sinaliza uma crise econômica que se inicia, mas de questões momentâneas.
Internamente, ele associou a subida do dólar ao empenho de alguns setores, inclusive dentro do governo, pela redução do depósito compulsório feito pelos bancos junto ao Banco Central. "A informação antecipa os fatos", sentenciou, ao comentar que, com a economia parada e o dinheiro liberado, haverá uma corrida aos dólares. "Há espaço para um crescimento ainda maior na taxa de câmbio na próxima semana", disse ele.
O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Armando Monteiro Neto, um dos maiores defensores da redução do depósito compulsório, foi hoje ao ministério da Fazenda apresentar ao ministro Antonio Palocci estudos que indicam a necessidade de redução do compulsório. Segundo Monteiro, Palocci não deu indicações claras de que está disposto a atender o pleito. "Mostrei para ele a nossa avaliação e ele disse que os técnicos estão avaliando o quadro para tomar decisões", informou.
Monteiro Neto disse, ainda, que o momento na economia se relaciona à reviravolta em relação à votação da reforma previdenciária e a pressões típicas do final do mês, com pagamentos no exterior. "Havia um clima mais positivo na semana anterior com relação à reforma e houve uma quebra de expectativa nessa semana", comentou. Monteiro discorda das avaliações de que o governo Lula está perdendo força. "Temos muitas razões para construir uma agenda positiva. Isso passa pelo abrandamento da política monetária e fiscal e isso já vai criar um ambiente mais favorável do ponto de vista da percepção dos agentes econômicos", sugeriu.
Para o presidente do Conselho Regional de Economia de São Paulo, Synésio Batista da Costa, o aperto fiscal, com conseqüente estagnação da economia e a indicação de que não haverá crescimento este ano, desembocou na queda dos indicadores de hoje. "O governo precisa voltar a gastar logo, para reativar a economia. Todos os setores econômicos estão parados e isso reflete no desânimo geral", avaliou.
A instabilidade no campo social também é vista com preocupação pelo mercado. "Quando se está em uma situação de incerteza, qualquer coisa pode ser motivo de pânico. As invasões rurais e urbanas ocorridas nesta semana são preocupantes porque o governo é do PT, que no passado apoiou este tipo de atitude", acrescentou Batisttel.
Na semana, o dólar subiu 4,84%. O Ibovespa, principal indicador da Bolsa de Valores de São Paulo, caiu 3,26% no pregão desta sexta-feira(Edla Lula)

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