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Crise na Bolívia acirra clima tenso na fronteira com MS

Maristela Brunetto/Campo Grande News - 02 de maio de 2006 - 10:28

Depois de seguidos protestos na fronteira de Mato Grosso do Sul com a Bolívia hoje, um dia depois do presidente Evo Morales anunciar a nacionalização do hidrocarbonetos, a fronteira amanheceu fechada até para a passagem de pedestres. Ontem, a região foi palco de uma manifestação em defesa da geração de empregos, reunindo brasileiros e bolivianos.

O clima ficou tenso ali porque é o departamento onde está a usina siderúrgica da EBX, que será expulsa do País, primeira empresa alvo da ação nacionalista do governo boliviano. Ela fica em Puerto Quijarro, no departamento de Santa Cruz de La Sierra, região mais forte economicamente na Bolívia.

Na fronteira, manifestantes bloqueiam estradas, ferrovias e impedem vôos. Hoje cedo, o movimento era para impedir a abertura do comércio em 16 cidades bolivianas, como divulgou esta manhã o Corumbaonline. Há um apelo pela permanência da EBX, uma vez que iria gerar empregos. Se puder retirar a infra-estrutura montada no País vizinho, a empresa terá perdas de US$ 20 milhões dos US$ 40 milhões investidos.

A decisão do governo boliviano, de nacionalizar os recursos naturais e mandar militares para as empresas que exploram recursos, como gás, pegou de surpresa o governo brasileiro e de outros países que têm investimentos na Bolívia, como a Espanha. Gás e prata são dois recursos extraídos no País vizinho. Em entrevista publicada ontem no Campo Grande News, o professor da UFMS Tito Machado, coordenador de um grupo de estudos sobre fronteiras, acreditava que o governo vizinho amenizaria as ameaças, uma vez que constataria que não tem os recursos tecnológicos e financeiros para assumir as atividades que as empresas estrangeiras vêm desempenhando.

O governo brasileiro discute hoje como irá reagir ao decreto do governo assinado ontem pelo presidente Evo Morales. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva irá avaliar o assunto com o ministro de Minas e Energia, Silas Rondeou, o presidente da Petrobrás, José Sérgio Gabrielli e o ministro interino de Relações Exteriores, Samuel Pinheiro Guimarães. Ainda não está claro se o governo vizinho irá indenizar os investidores, se renegociará contratos ou irá expropriar o patrimônio estruturado na Bolívia. A medida surpreendeu o Brasil porque contrariou o que vinha assegurando Morales ao Brasil. Ele falava em reformular contratos com a Petrobras, mas não tinha sinalizado com a tomada dos empreendimentos.

Para controlar a exploração das riquezas naturais, o governo contará com uma empresa estatal- a Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos.

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