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Cefaléia primária é mais comum em obesos

Agência Notisa - 07 de abril de 2006 - 07:17

Resultados de estudo realizado em São Paulo mostram que 75% (55) dos pacientes avaliados apresentavam algum diagnóstico de cefaléia primária. Segundo os autores da pesquisa, este foi o primeiro estudo a avaliar a afecção em obesos.

É vasta a literatura sobre a obesidade enquanto um problema de saúde pública mundial. Entretanto, pouco se sabe sobre a prevalência e o impacto da cefaléia em pacientes obesos. Interessados na questão, pesquisadores do Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa Albert Einstein e do Hospital Beneficência Portuguesa, ambos de São Paulo, avaliaram 74 pacientes consecutivos de um centro de tratamento de obesidade e constataram: cefaléias primárias são, de fato, mais comuns e incapacitantes neste grupo. “De nosso conhecimento, este foi o primeiro estudo a avaliar a cefaléia primária em pacientes obesos”, afirmam Mário Fernando Peres e equipe em artigo publicado nos “Arquivos de Neuro-Psiquiatria”.

Segundo o texto, os participantes do estudo foram comparados a indivíduos com índices de massa corporal (IMC) inferior a 25. Os resultados mostraram que 75% (55) dos pacientes apresentaram algum diagnóstico de cefaléia primária, 66% enxaqueca (49), 9% cefaléia do tipo tensional (7) e 48% (36) tiveram cefaléias incapacitantes. “A enxaqueca foi o diagnóstico mais freqüente”, afirmam os pesquisadores no artigo.

Além do IMC, os pacientes foram analisados por sexo, idade e raça. Todos os fatores necessários para o diagnóstico da cefaléia primária foram coletados, tais como freqüência, intensidade e duração do ataque. “Em nossos estudos não conseguimos demonstrar uma correlação entre sonolência diurna excessiva, a marca da síndrome da apnéia do sono, e o diagnóstico, a intensidade e a freqüência da cefaléia”, destacam.

Na opinião dos autores, a qualidade de vida dos obesos com cefaléia incapacitante primária pode ser afetada substancialmente. “Por esse motivo, a cefaléia deve ser diagnosticada e tratada adequadamente”, ressaltam. Segundo eles, o manejo da obesidade pode ser difícil e limitações no tratamento podem ocorrer; entretanto, estão surgindo novas janelas terapêuticas. “Não se sabe se doses mais altas de medicamentos para cefaléia devem ser administradas em pacientes obesos, mas os clínicos devem manter esta possibilidade”, frisam.

O artigo ressalta, ainda, não diminuindo a importância dos fatores ambientais, que a epidemia de obesidade testemunhada nos últimos 20 anos emergiu a partir de um pool genético relativamente constante. “A identificação dos mecanismos envolvidos na etiologia (causa) e na patogênese (mecanismoda doença) da obesidade e das desordens da cefaléia continua sendo criticamente importante para o futuro imediato de ambas as patologias”, concluem os pesquisadores.

Agência Notisa (jornalismo científico - science journalism)

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