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CBA lamenta a morte de estudante em Campo Grande

Agência Brasil - 09 de setembro de 2003 - 11:08

O presidente da Confederação Brasileira de Automobilismo (CBA), Paulo Enéas Scaglione, lamentou profundamente a morte do estudante de jornalismo Raphael Lima Pereira, ocorrida no último domingo, em Campo Grande-MS, no acidente que marcou a etapa do Campeonato Brasileiro de Stock Car. Entretanto, a entidade não abrirá nenhum processo administrativo para apurar os acontecimentos no autódromo da capital sul-mato-grossense por considerar que todos os procedimentos técnicos, esportivos, administrativos e de segurança foram corretamente tomados.

Scaglione estava na cidade de Orlando, nos Estados Unidos, participando de um congresso da Federação Internacional de Automobilismo, mas esteve o tempo todo em contato com as autoridades presentes ao autódromo. Segundo ele, não houve falhas de nenhuma das partes envolvidas. A começar pelo credenciamento da Vicar, empresa promotora. O jornalista responsável, Milton Alves, credenciou o estudante porque o jornal no qual trabalhava cumpriu integralmente as exigências para a obtenção da credencial. Além disso, tendo em vista a pouca experiência de Raphael, Alves o orientou direta e objetivamente sobre os riscos.

A questão da segurança também foi avaliada e aprovada, uma vez que antes da prova foram retiradas as pessoas das áreas de circulação dos boxes e da pista. A ação do diretor de prova, Carlos Montagner, também foi precisa ao verificar todos os pontos da pista antes da largada. Isso significa dizer que, durante o procedimento de largada, o estudante se encontrava atrás da barreira de proteção. Todo esse procedimento foi acompanhando pelo presidente do Conselho Técnico e Desportivo Nacional, Nestor Valduga.

O problema todo aconteceu logo depois da ordem de largada. Nesse momento, o estudante saiu do barranco que fica atrás da barreira de pneus, pulou esse obstáculo de segurança e se posicionou exatamente ao lado da pista. Ele ainda correu ao perceber a aproximação do carro de Gualter Salles, vindo em sua direção após o piloto ser tocado por trás e perder o controle do veículo. O impacto, entretanto, projetou o corpo do estudante para alguns metros à frente e as lesões resultantes provocaram sua morte.

A direção da CBA contestou as declarações de alguns pilotos que criticaram a segurança da pista e a falta de guard-rails no local. Para Valduga, a pista de Campo Grande tem amplas áreas de escape e a barreira de pneus cumpriu amplamente o seu papel. Segundo o dirigente, além de segurar o carro, impediu que o V8 de Gualter Salles fosse devolvido ao meio da pista, proporcionando o amortecimento que se espera desse tipo de barreira, o que não acontece com as placas metálicas.

"O lamentável disso tudo é que o jovem, provavelmente empolgado pelo momento da largada e procurando uma foto melhor com um equipamento modesto, pulou a barreira de pneus e se colocou ao lado da pista", resumiu Scaglione. "Ninguém pode ser culpado. Todos os procedimentos foram corretamente aplicados e o jovem acabou se posicionando em uma zona de perigo. Infelizmente, um jovem com tanta energia e entusiasmo perdeu a vida de maneira tão triste", completou o presidente da CBA.

Scaglione acrescentou que, desse episódio, podem ser tiradas algumas lições e ele está estudando uma maneira de impedir que pessoas sem experiência se exponham a riscos. "A área de imprensa da Confederação tem critérios muito rígidos para emissão de carteira permanente de imprensa. Talvez essa nossa experiência possa contribuir de alguma maneira. Mas esse assunto é muito delicado. Embora seja necessário um controle, não podemos impedir que um jovem jornalista participe das provas. Seria um cerceamento da liberdade de imprensa e um obstáculo para a formação de uma nova geração de jornalistas especializados em automobilismo. É algo que precisa ser estudado com muito cuidado para que não sejam cometidas arbitrariedades e injustiças", ponderou Scaglione.



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