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Geral

Bolivianos radicalizam e ampliam protesto na fronteira

Marcelo Fernandes e Rosana Nunes, do Corumbá On Line - 02 de maio de 2006 - 14:28

A paralisação geral das cidades bolivianas da província de German Busch em defesa da criação e manutenção dos postos de trabalho pelo governo do presidente Evo Morales na região, entrou no quinto dia com o endurecimento dos bloqueios. Com a fronteira fechada desde o dia 28 de abril, os bolivianos intensificaram a mobilização com a proibição a pedestres, de cruzarem a linha fronteiriça e fechamento total do comércio, que funcionava parcialmente.

O bloqueio impede o funcionamento da ferroviária de Puerto Quijarro, que está fechada, e o aeroporto de Puerto Suarez está com as operações suspensas e militares fazem a guarda patrimonial. A estrada que leva a Santa Cruz de La Sierra está interditada. Duas carretas foram cruzadas na pista que recebeu montes de terra para evitar o tráfego.

Na rodovia, que é a principal ligação da província com a capital do Departamento (Estado) de Santa Cruz, cerca de 40 caminhões e ônibus estão parados aguardando o término dos bloqueios. As carretas, em sua maioria, transportam combustíveis; arroz; feijão e soja. As cidades de Arroyo Concépcion; Puerto Quijarro; Puerto Suarez e El Carmen Riveiro Torrez ainda não registram problemas de desabastecimento.

Os manifestantes que acampavam em frente à siderúrgica que a EBX constrói em Quijarro deixaram o local. Eles receberam a informação que os fiscais do governo Morales – que buscavam embargar o investimento para evitar a retirada dos equipamentos pela empresa – deixaram a cidade.

Enfrentamento

O presidente do Comitê Cívico de Arroyo Concépcion, Victor Colombo, disse ao Corumbá On Line que a situação ficou “delicada” com a decisão do presidente Evo Morales de não querer negociar com a população da região que promove o “paro cívico”. “Não pretendemos recuar, temos o apoio das 16 prefeituras da região da Chiquitania”, afirmou.

Colombo lembrou que na próxima quinta-feira, 04 de maio, todo o departamento de Santa Cruz irá realizar uma paralisação geral reivindicando o atendimento às principais necessidades da região, em diversos segmentos. O dirigente cívico ainda declarou que o decreto do Governo Central que nacionalizou a produção do gás natural e os investimentos estrangeiros que o produzem, preocupam porque podem gerar “uma crise diplomática” com o Brasil, que tem a Petrobras como um dos principais parceiros comerciais do setor.

O endurecimento da mobilização, a partir desta terça-feira, dia 02, já traz à tona possibilidade de enfrentamento de manifestantes e Forças Armadas do próprio país. “O (presidente) Evo está tirando do povo da província a oportunidade de empregos e de ter uma vida mais digna. O governo está nos trancando as portas e, vamos às últimas conseqüências, se mandar tropas para nos reprimir, vamos enfrentá-las”, declarou o desempregado Simon Poquiviqui, que disse integrar o movimento cívico por desejar a criação de postos de trabalhos. “Se tiver de correr sangue, vai acontecer, o povo não está disposto a recuar”, alertou.

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