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Geral

Banco Palmas mostra uma maneira diferente de emprestar

Roberta Lopes, ABr - 28 de janeiro de 2009 - 21:23

Brasília - Numa época de crise aguda no sistema financeiro mundial, uma experiência no Ceará mostra uma outra maneria de administrar um banco que atenda os interesses da comunidade. O Banco Palmas é gerido pela comunidade do bairro Conjunto Palmeiras na cidade de Fortaleza (CE). Segundo o presidente do banco, João Joaquim de Melo Neto, o objetivo é fazer com que a comunidade tenha dinheiro para gastar dentro do próprio bairro e com isso promover a economia local.

"O banco comunitário é uma rede que estimula a produção, o comércio, e reorganiza a economia daquela comunidade” afirmou Melo Neto em entrevista ao Programa 3 a 1, da TV Brasil.

O banco tem uma moeda própria que é o Palma, indexado ao Real. Com isso, um Palma vale um Real. O banco funciona no sistema de microcrédito e hoje tem R$ 700 mil emprestados para pessoas da comunidade. O valor dos juros é entre 1% a 3% ao mês e valor máximo para empréstimo é de R$ 1 mil .

Além do sistema de microcrédito, há também um cartão de crédito usado em comércios da comunidade. Esse cartão funciona como um cartão de banco e ao final de um mês o dono do cartão paga ao banco o valor feito em compras. Melo Meto explica que a grande vantagem desse sistema é o fato de fazer com que o dinheiro circule dentro da comunidade.

“É um sistema local, que faz com que as pessoas produzam e consumam no próprio local e isso faz uma rede de consumidores”, disse.

Como o Palma circula somente dentro do bairro, quem precisar sair da comunidade para fazer compras pode trocar Palmas por Reais, sem qualquer custo adicional. A idéia do banco surgiu da necessidade da comunidade ter dinheiro para ter acesso a suas necessidades básicas como alimentação e vestuário.

“A idéia nasceu do debate da comunidade e de dizer que nós podemos resolver o nosso problema de pobreza. Nós não somos pobres, temos uma reserva monetária gigantesca a nossa volta. O segredo e fazer com que essa reserva não vá para o ralo então surgiu essa idéia de se criar um banco que automaticamente tivesse estimulo a produção e ao consumo”, explicou Melo Neto.

O capital inicial veio de doação de uma Organização Não-Governamental (ONG) no valor de R$ 2 mil e, logo na inauguração, todo o dinheiro foi emprestado. Na medida em que os empréstimos foram sendo pagos, o banco pode fazer seu caixa. Além disso, o banco também recebeu doações de ONGs de outros países como Espanha, Alemanha, Holanda, entre outros. Hoje, o caixa total do banco é de R$ 1, 8 milhões.


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