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Assembléia indígena defende fim de protestos em Dourados

Vinicius Konchinski , ABr - 03 de fevereiro de 2009 - 22:11

São Paulo - Vinte e oito lideranças indígenas decidiram hoje (3) não apoiar os protestos contra a direção da superintendência regional da Fundação Nacional do Índios (Funai) de Dourados (MS).

Em reunião realizada na cidade, líderes das etnias Guarani-Kaiowá, Guarani-Ñandeva e Terena defenderam a permanência de Margarida Nicoletti na chefia do escritório regional do órgão.

“Achamos que este não é o momento da saída de Margarida”, afirmou o índio guarani-kaiowá e membro da Comissão Nacional de Política Indigenista (CNPI) Anastácio Peralta, em entrevista à Agência Brasil depois da assembléia.

Segundo ele, os índios que habitam o sul de Mato Grosso do Sul não sabem quem seria capacitado para substituir Margarida Nicoletti caso ela deixasse a chefia da Funai na região - possibilidade já descartada pela própria Funai.

Os índios defendem que ela fique no cargo e que seja iniciada uma discussão para indicação de um líder indígena que, futuramente, possa substituí-la. “Ainda temos que preparar uma liderança de alguma das comunidades da região para assumir a chefia”, afirmou.

Desde a semana passada, cerca de 50 índios realizam manifestações pedindo o afastamento de Nicoletti. Na quinta-feira (29), eles invadiram a sede regional da Funai e só desocuparam o local no dia seguinte, após determinação da Justiça. Ontem (2), os índios iniciaram um bloqueio em um trecho da rodovia MS-156 que cruza a cidade de Dourados.

Peralta afirmou que as lideranças vão pedir aos manifestantes o fim dos protestos. Mas adiantou que a negociação será complicada, pois os manifestantes sequer consultaram os líderes da região antes de invadir a Funai e bloquear a rodovia.

De acordo com ele, a maioria dos índios apóia a permanência de Margarida por ser uma das defensoras da ampliação das reservas indígenas na região.

A questão fundiária dos índios do sul de Mato Grosso do Sul é antiga e alvo de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) que a Procuradoria da República firmou com a Funai exigindo novas demarcações.

“A Margarida realmente abraçou a nossa causa [as demarcações]”, disse Peralta. “A tentativa de tirá-la do cargo só tende a prejudicar a resolução do nosso maior problema.”

Até a publicação desta reportagem, a Agência Brasil não havia conseguido entrar em contato com os líderes dos protestos realizados em Dourados. O bloqueio da rodovia MS-56 ainda era mantido pelos manifestantes.





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