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Apesar de alerta hídrico, racionamento de água é descartado em MS

Segundo empresa que abastece a maioria das cidades, três são monitoradas e já têm plano de contigência

Campo Grande News - 17 de maio de 2024 - 18:00

Apesar de alerta hídrico, racionamento de água é descartado em MS
Como está atualmente a beira do Rio Paraguai, em Corumbá (Foto: Viviane Amorim)

Nem havia chegado maio, tradicionalmente mês de início da seca, e os níveis críticos de água na Bacia do Paraguai já eram uma preocupação. Nesta semana, a ANA (Agência Nacional de Águas) divulgou boletim confirmando que a região hidrográfica enfrenta escassez hídrica e níveis mínimos nos rios.

A Sanesul (Empresa de Saneamento de Mato Grosso do Sul), estatal que é responsável pelo abastecimento de água em 68 dos 79 municípios de Mato Grosso do Sul, entre eles os dependentes da Bacia do Paraguai, afirmou que descarta a possibilidade da população ter que lidar com racionamento de água no atual cenário.

"Não temos indícios", diz Elthon Teixeira, o gerente de desenvolvimento da empresa pública e coordenador da equipe que monita a situação desde o ano passado em Mato Grosso do Sul e em Mato Grosso, onde nasce o Rio Paraguai.

Ele explica que já haviam acendido os primeiros alertas as marcações do canal em Cáceres (MT) e no Rio Ladário (MS) – referências para avaliar a Bacia do Paraguai. Elas estavam abaixo do esperado até nos meses chuvosos.

Pior nível - Hoje, a medição do Rio Ladário é a pior já registrada entre os meses de maio de 2017 a 2023 pela Marinha do Brasil. Nível que normalmente fica em 3 metros no período, caiu para 1,9 metro (2020), 1,65 metro (2021) e voltou a subir em 2022 e 2023. Em 2024, está em apenas 1,43 metro, o que já é um índice histórico.

Em março deste ano, o SGB (Serviço Geológico do Brasil) já avisava que o nível do Rio Paraguai poderia ser pior que o de 2020, ano de seca extrema na região.

Contingenciamento - Corumbá, Ladário e Porto Murtinho são os municípios que dependem da captação da água do Rio Paraguai, o mais importante da bacia hidrográfica, e por isso podem ser colocados em alerta.

Estrutura de captação da Sanesul no Rio Paraguai, em Corumbá (Foto: Divulgação/Sanesul)
"Até a data de hoje, não há comprometimento no abastecimento. Devido às medidas preventivas já adotas, até o momento os sistemas de abastecimento da empresa estão funcionando normalmente. Porém, a equipe se mantém em alerta para eventuais mudanças que possam acontecer", afirmou a Sanesul.

Só para Corumbá, a empresa mantém um reservatório com 13 milhões de litros, que atende ao tamanho da população e às necessidades dos moradores sem precisar racionar, cita o gerente de desenvolvimento.

Ações de contingenciamento estão planejadas para serem colocadas em prática, se precisar. "Temos estruturas provisórias que permitem manter as captações, são dois, três equipamentos, por exemplo", diz Elthon. Na região, todo o sistema de captação e distribuição é robusto e foi projetado para "suportar essas variações", ele acrescenta.

Nenhum comunicado oficial foi emitido aos moradores das três cidades até agora. A Sanesul tem apenas reforçado o pedido para o uso consciente da água potável.

Outras 11 cidades - A Águas Guariroba, concessionária que atende a Capital, afirmou que não há alerta sobre possível racionamento.

Os outros 10 municípios do Estado possuem gestão própria da captação e distribuição de água. Entre eles está Bela Vista que, pela dependência do Rio Apa, pode ser outro a ter que monitorar os efeitos da escassez hídrica, na avaliação gerente da Sanesul. O curso d'água é afluente do Paraguai.

A reportagem questionou o prefeito de Bela Vista, Reinaldo Miranda Benites, que também descartou a possibilidade do racionamento. Ele explicou que a cidade caminha para reduzir os litros captados do Apa após ter construído três poços.

"A gente não corre esse risco porque nos preparamos com os poços artesianos no ano passado. E em frente à prefeitura, temos um reservatório com 10 litros de água. Temos equipe monitorando isso e está tranquilo", disse Reinaldo.

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