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Alcides Silva: Língua portuguesa, inculta e bela

Alcides Silva - 10 de dezembro de 2012 - 08:32

Nós somos medo e desejo, somos feitos de silêncio e som.”

Por certo, o leitor já ouviu “Certas Coisas”, música de Lulu Santos e Nelson Motta, cantada por Milton Nascimento. Relembremos:
“Não existiria som / Se não houvesse o silêncio /Não haveria luz / Se não fosse a escuridão / A vida é mesmo assim, dia e noite, não e sim. / Cada voz que canta o amor / Não diz tudo que quer dizer / Tudo que cala fala mais / Alto ao coração. / Silenciosamente eu te falo com paixão / Eu te amo calado / Como quem ouve uma sinfonia / De silêncio e de luz. / Nós somos medo e desejo, somos feitos de silêncio e som. / Tem certas coisas que eu não sei dizer.”
Essa canção foi concebida como um jogo de luzes e sombras, “dia e noite, não e sim”, num encadeamento de sucessivas oposições. A isso se dá o nome de antítese, uma figura de pensamento que ocorre quando a uma ideia é oposta outra de sentido contrário. É uma enantiose, isto é, em linguagem acessível, uma contradição: “Buscas a vida; eu a morte” – Casa de ferreiro, espeto de pau.
Em “Jaqueline”, poema de “Estrela da Manhã”, Manoel Bandeira condensou uma aparente falta de nexo:
“Jaqueline morreu menina. / Jaqueline morta era mais bonita do que os anjos/ Os anjos!... Bem sei que não os há em parte alguma. / Há é mulheres extraordinariamente belas que morrem ainda meninas”.
Mulheres... ainda meninas. Conceitualmente, o termo ‘mulheres’ [ser humano do gênero feminino que atingiu a idade adulta] contrasta com a palavra ‘meninas’ [criança do sexo feminino]. São formulações aparentemente inconciliáveis. A isso se dá o nome de paradoxo, que também é uma figura de pensamento: numa mesma unidade da frase são empregadas palavras cujos conceitos se opõem, ao menos na aparência. É um oximoro, figura que consiste em reunir palavras contrárias: “Era o porvir – em frente do passado, / A liberdade – em frente à escravidão” (Castro Alves).
Na antítese a contradição está nas ideias (Não há mal que sempre dure, nem bem que nunca se acabe); no paradoxo, nas palavras (“O amor... É um contentamento descontente.” - Camões). Em medicina legal, o feto viável expulso morto do útero materno é um natimorto. Em linguística, o termo natimorto é um paradoxo.
Explica Rocha Lima que “todo paradoxo encerra, em última análise, uma antítese, porém uma antítese especial, que em vez de se opor, enlaça ideias contrastantes”. E cita, como exemplo, versos de Hermens Fontes:
“Este Amor, que, afinal, é a minha vida / e que será, talvez, a minha morte, / amor que me acalora e me intimida, /que me põe fraco quanto me põe forte; / este Amor, que é um broquel e é uma ferida, / vai decidir, por fim, a minha morte”.
Figuras de pensamento, formas de expressão que fogem às normas gramaticais, são recursos estilísticos da língua e de retórica praticamente inesgotáveis. Concedem ao pensamento mais energia, mais beleza ou realce. O título desta coluna, extraído de um verso de Olavo Bilac, é uma antítese, talvez um paradoxo: “inculta e bela”: “Última flor do Lácio, inculta e bela / És a um tempo esplendor e sepultura”.
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O artiguete acima foi vertido para o italiano e publicado no site www.ponto.altervista..org/. Estampo-o envaidecido e agradecido pela deferência.
“Noi siamo la paura e il desiderio, siamo fatti di silenzio e suono
A cura di Alcides Silva - Traduzione Gabriella Madaro

Sicuramente, il lettore ha già ascoltato \" Certe cose\", musica di Lulu Santos e Nelson Motta, cantata da Milton Nascimento . Ricordiamo:
Non esisterebbe il suono
Se non ci fosse il silenzio
Non ci sarebbe luce
Se non ci fosse l\'oscurità
La vita è proprio così, giorno e notte, no e sì
Ogni voce che canta l\'amore
Non dice tutto quel che vuol dire
Tutto quello che tace dice di pù
Alto al cuore
Silenziosamente io ti parlo con passione
Io ti amo in silenzio
Come chi ascolta una sinfonia
Di silenzio e di luce
Noi siamo la paura e il desiderio, siamo fatti di silenzio e suono.
Ci sono cose che io non so dire.
Questa canzone è stata concepita come un gioco di luci e ombre, \"giorno e notte, no è sì\", in un catenaccio di successive opposizioni. A ciò si dà il nome di antitesi, una figura del pensiero che si utilizza quando un\'idea è opposta ad altra di senso contrario. E\' un\'enantiose, una contraddizione: \"Cerchi la vita o la morte\". Come si dice in Brasile: nella casa del fabbro, lo spiedo è di legno.
In \" Jaqueline\", poema di \" Stella del Mattino, Manoel Bandeira ha condensato un\'apparente mancanza di nesso.
Jaqueline è morta bambina
Jaqueline morta era più bella degli angeli
Gli angeli!...So bene che non ci sono da nessuna parte
Ci sono donne straordinariamente belle che muoiono ancora bambine.
\" Donne...ancora bambine. Concettualmente, il termine \'donne\' [l\'essere umano di genere femminile che ha raggiunto l\'età adulta] contrasta con la parola \'bambina\' [ bimbo di sesso femminile]. Sono formulazioni apparentemente inconciliabili. A questo si dà il nome di paradosso, che è anche una figura di pensiero: in una stessa unità di frase sono impiegate parole i cui concetti si oppongono, almeno in apparenza. E\' un ossimoro, figura que consiste nel riunire parole contrarie: \" Era l\'avvenire di fronte al passato/ La libertà di contro la schiavitù\" (Castro Alves).
Nell\'antitesi la contraddizione è nelle idee (Non c\'è male che duri sempre, nè bene che non finisca); nel paradosso, nelle parole (\"L\'amore... E\' una contentezza scontenta\" Camões). In medicina legale, il feto viabile espulso morto dall\'utero materno è un nato morto. In linguistica, il termine nato morto è un paradosso.
Spiega Rocha Lima che \" tutto il paradosso racchiude, in ultima analise, un\'antitesi, ma un\'antitesi speciale, che invece di opporsi, unisce idee contrastanti\". E cita, come esempio, versi di Hermes Fontes:
Questo amore, che, alla fine è la mia vita
e che sarà, forse, la mia morte
amore che mi accalda e mi intimidisce,
che mi rende debole al contempo forte,
questo Amore , che è una difesa ed è una ferita,
deciderà, alla fine, la mia morte.
Figure del pensiero, forme di espressione che sfuggono alle norme grammaticali, sono ricorsi stilistici della lingua e della retorica praticamente inesauribili. Concedono al pensiero più energia, più bellezza o risalto. Il titolo di questa colonna estratta da un verso di Ottavio Bilac, è un\'antitesi, forse un paradosso: \" incolto e bello\":
Ultimo fiore del Lazio, incolto e bello
Sei ad un tempo splendore e sepoltura.

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