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Geral

Alcides Silva explica quando escrever junto ou separado

Alcides Silva - 05 de maio de 2006 - 07:44

Língua portuguesa, inculta e bela!
Alcides Silva

Juntos ou separados

São muito comuns as dúvidas que nos torturam quando, na escrita, encontramos palavras que tanto podem ser grafadas separada ou analiticamente, como por exemplo, portanto, por tanto; tampouco, tão pouco; conquanto, com quanto; contanto, com tanto; porquanto etc.
Não há uma regra. É que escrito numa palavra só, o termo pertence à categoria gramatical diversa dos que são grafados separadamente.
Portanto é uma conjunção (ou conectivo é a palavra que exprimindo circunstâncias, une duas orações ou dois termos) conclusiva, pois revela uma conclusão ou uma conseqüência: Paguei-lhe até o último tostão, portanto nada lhe devo.
Porquanto é uma conjunção causal (exprime uma causa): Não foi premiado porquanto a isso não merecia.
Por tanto e por quanto – em grafias analíticas – são empregados quando os advérbios ou adjetivos tanto ou quanto forem, respectivamente, identificadores de quantidade ou de modalidade: Por tanto dinheiro trabalhava até a noite. Por quanto se vende esta casa?
Tampouco é advérbio e só se emprega quando puder ser substituído por também não, ou nem sequer, ou, ainda, por sequer: Não apareceu tampouco se justificou.
Porisso é erro de grafia, palavra inexistente na língua portuguesa, assim como não há poristo ou poraquilo. Napoleão Mendes de Almeida solitariamente a defende; “Porisso compõem-se de por + isso. Vêm os dois elementos ligados quando conjunção conclusiva: (Vou sair, porisso tenha juízo). Caso contrário, os elementos por e isso vêm separados: Não foi por isso que o despedi. Nem por isso (= nem por esse motivo, nem por essa coisa) [Gramática Metódica da Língua Portuguesa, 8ª ed., Saraiva, São Paulo, 1956, p.292].
Em Dicionário de Erros, Correções e Ensinamentos de Língua Portuguesa (edição Saraiva de 1955, página 212), esse lingüista expõe com mais amplitude seu posicionamento: “Claro que não se deverá escrever porisso, numa só palavra se distinta forem as funções léxicas dos elementos em apreço, ou seja, quando por for preposição, e isso pronome demonstrativo neutro. Não foi por isso que o despedi. Se não der certo, não ficarei magoado por isso. Nem por isso”.
Prossegue o mestre, lembrando e rebatendo as opiniões contrárias, principalmente quanto à impossibilidade de se escrever poristo ou poraquilo: “A comparação não vem ao caso, diz ele, uma vez que nem poristo nem poraquilo existem com valor conjuncional. Ao contrário de condenar, a comparação demonstra o acerto da grafia analítica por isso quando a cada palavra couber valor léxico próprio; valesse ela para o caso de exercer a palavra função conclusiva, não poderíamos escrever portanto sinteticamente. Se escrevemos “Por tanto dinheiro não comprarei” e “Está chovendo, leve portanto a capa”, é porque no primeiro caso por (preposição) e tanto (adjetivo) guardam particular função léxica, o que no segundo exemplo não se dá, caso em que o composto perdeu o valor dos elementos para, numa só palavra funcionar como conjunção coordenadora conclusiva”.
E arremata Napoleão Mendes de Almeida: “Quando nitidamente porisso funcionar como conjunção, ou seja, quando equivalente a conseguintemente, pois, portanto, não vemos o que nos impeça escrevê-lo numa palavra só”.

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