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A homenagem póstuma de Manoel Afonso a Edwino Raimundo Schultz

Manoel Afonso - 11 de maio de 2020 - 17:33

A homenagem póstuma de Manoel Afonso a Edwino Raimundo Schultz

“Amigos são nossas testemunhas do passado. Os amigos são o espelho, através dos quais podemos nos olhar”. As afirmativas do escritor Milan Kundera são oportunas pela nossa relação de amizade com o Schultz desde 1974.
Como esquecer sua postura muito antes de se tornar prefeito? Seu ‘jeitão’ de colono alegre, de abraços largos, afetuosos, de comportamento do ‘explosivo’ ao emotivo de choro fácil. Seria utopia exigir dele algo diferente do que realmente era. Procurava substituir, em algumas situações, a falta de cultura pelo pragmatismo. Errou sim! Mas quem de nós não errou, menos por princípios do que pela falta de orientação adequada.


Impossível esquecer alguns dos fatos marcantes: a inauguração do primeiro posto de gasolina de seu irmão Adolfo com direito a partida de futebol entre o time da cidade e equipe da Ford de Cassilândia. Aliás, fui o árbitro num tempo e jogador em outro, com direito a churrasco ao final. Aquele empreendimento foi determinante e emblemático para o futuro da cidade sob todos os aspectos. O fim do abastecimento de galão.


Schultz cultivava o sonho da futura cidade. Acompanhei seu projeto pioneiro de implantação do loteamento que por questões burocráticas não foi concretizado, embora ele, na pratica, já tivesse doado dezenas de lotes para pessoas sem poder aquisitivo. Schultz acabou – diante dos impasses – vendendo o loteamento a Júlio Martins, consolidando o projeto após a aprovação da criação do Distrito de Chapadão Sul. Claro que o semeador da semente da fundação da cidade foi ele – o Schultz.


É oportuno essa abordagem sobre a fundação para se fazer justiça e corrigir essa versão divulgada e que não encontra amparo nos fatos históricos. Basta consultar personagens da época, pioneiros de luta, para se concluir de que Schultz foi o pioneiro e o grande semeador de Chapadão. Corrigir essa distorção histórica é preciso e cabe às forças vivas da cidade essa iniciativa cívica. Afinal, as vaidades pessoais não podem estar acima da verdade, no entendimento da maioria das pessoas da comunidade chapadense.


Como amigo e advogado que fui dele – como de tantos e tantos pioneiros em suas pelejas judiciais em tempos difíceis da frustração da lavoura de arroz inclusive, conheço bem o perfil dos verdadeiros pioneiros desta região. Sempre me impressionou o carisma do Schultz junto aos colonos, aqueles mais humildes, que encontravam nele um porto seguro. Schultz teria pecado muito mais pelo excesso – em dar – do que por negar.


Da última visita que lhe fiz, onde a raiz de uma árvore impedia a abertura total da porta de acesso a sala, sai amarrotado com o quadro que presenciei. A decadência financeira, a perda de ‘status’ e também a viuvez transformaram o velho amigo já com 80 anos em um cidadão triste, desmotivado.


Ao receber a notícia de sua morte, esses fatos vieram a minha memória e senti o dever de homenageá-lo com esse texto. Schultz: não vamos esquecer você. O Chapadão ficou sem seu criador. Descanse em paz ‘índio véio’!

Manoel Afonso

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