Cassilândia
Triste realidade: alta procura de filhos por vagas marcam cotidiano no Lar dos Idosos
Presidente Ewerton detalha necessidade de R$ 300 mil para adequações do Corpo de Bombeiros e revela que apenas 10% dos residentes recebem visitas de parentes.

O Lar dos Idosos de Cassilândia, atualmente sob a presidência de Ewerton Nunes, atravessa um momento de profissionalização administrativa, enquanto lida com o contraste entre a solidariedade da comunidade e o crescente abandono familiar. Em entrevista nesta terça-feira, 09 de junho, no Programa Rotativa no Ar, da Rádio Patriarca, o presidente detalhou as vitórias e os obstáculos enfrentados pela instituição, que atualmente abriga 48 idosos e opera em sua capacidade máxima.
Gestão Administrativa e Desafios Financeiros
Ewerton, que iniciou seu segundo ano de trabalho voluntário à frente da entidade, destacou que a diretoria foca na gestão e controle administrativo para garantir transparência e resultados físicos. Entretanto, os custos operacionais são elevados. A conta de energia elétrica, por exemplo, ultrapassa os R$ 10.000,00 mensais. Embora a instituição tenha recebido uma doação da Energisa para energia fotovoltaica, o sistema atende apenas 15% da demanda, sendo urgente a ampliação do projeto para cobrir as necessidades dos idosos, especialmente os acamados que dependem de tecnologia constante.
Outro gargalo crítico é a necessidade de adequação às normas do Corpo de Bombeiros. Para obter a liberação definitiva e evitar bloqueios, a estrutura — que é antiga, embora bem conservada — precisa de reformas orçadas em cerca de R$ 300.000,00. Além disso, o Lar mantém um corpo técnico de 18 funcionários, incluindo enfermeira, farmacêutica e nutricionista, garantindo um controle rigoroso de cardápios e medicamentos.
A Triste Realidade do Abandono Familiar
Um dos pontos mais sensíveis abordados foi a alta procura por vagas, especialmente para homens. Segundo o Presidente Ewerton, muitas famílias buscam o Lar como um "depósito" para descartar entes queridos, muitas vezes por mágoas do passado ou para se desvencilharem da responsabilidade de cuidar de idosos debilitados ou com problemas mentais — casos que, por vezes, não se enquadram no perfil de atendimento da instituição.
A estatística de visitas é alarmante: apenas 10% dos residentes recebem visitas regulares de seus familiares. O presidente relatou casos em que parentes querem levar o idoso para a instituição, porém se recusam a assinar como responsáveis legais.
Solidariedade e o Papel dos "Padrinhos"
Em contrapartida ao abandono, a comunidade de Cassilândia demonstra um "coração de mãe". Escolas, empresas e cidadãos garantem um calendário de doações de lanches por todos os 30 dias do mês. Além disso, o projeto de "Apadrinhamento" permite que cidadãos sem vínculo sanguíneo adotem idosos, levando-os para passeios, comemorando aniversários e oferecendo o carinho que as famílias biológicas negam. A instituição está aberta a visitas diariamente, das 08h às 17h, e incentiva a população a ir ao local apenas para conversar e ouvir as histórias dos idosos. Financeiramente, o Lar também conta com repasses de quatro prefeituras da região que mantêm vagas fixas para seus cidadãos através da assistência social.
Informações Importantes para Doações e Visitas:
- Horário de Visita: 08h00 às 17h00.
- Gerente Responsável: Kelly,.
- Necessidades constantes: Alimentos, material de limpeza, higiene e fraldas (medicamentos não podem ser doados diretamente por controle farmacológico).
Confira a íntegra da entrevista:
