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20/03/2007 15:17

Zidane volta a jogar com uma nova causa

Demorou nove meses, mas na segunda-feira o ex-astro do futebol francês jogou na Europa pela primeira vez desde que encerrou a carreira. O sorriso estava de volta ao seu rosto, a habilidade decerto não havia abandonado seus pés e, porque tinha uma boa causa para se manter em forma, ele parecia decididamente mais feliz do que em sua lamentável despedida, na final da Copa do Mundo, em julho, em Berlim.
Zidane tem 34 anos. Disse que abandonou o futebol porque a cada dia descobria uma nova dor em seu corpo, e uma nova pressão que reduzia seu desejo de jogar. Tornou-se praticamente um recluso do esporte. Colocou as chuteiras em público três vezes, desde que encerrou a carreira com a infame cabeçada no peito de seu perseguidor italiano, Marco Materazzi, que resultou em sua expulsão.

Depois daquela partida, Zizou jogou uma vez na Argélia, a terra natal de seu pai; uma vez em Bangladesh; e uma vez na Tailândia. Ele recusou o convite para a partida comemorativa do 50° aniversário da União Européia, na semana passada, entre o Manchester United e um combinado da UEFA. Política não o interessa; humanismo, sim.

Na segunda-feira, Zidane capitaneou um time e Ronaldo, seu antigo colega no Real Madrid, o time adversário, e eles arrecadaram um total estimado em US$ 500 mil, atraindo 25 mil torcedores ao Stade Velódrome, em Marselha, a cidade em que Zidane cresceu e na qual o jovem jogador de rua se tornaria um dos maiores astros da história do futebol mundial.

O jogo ganhou o nome de "partida contra a pobreza", e foi organizado pelo Fundo das Nações Unidas para o Desenvolvimento. Trata-se da quarta partida beneficente para esta causa, depois de jogos em Basiléia (2003), Madri (2004) e Düsseldorf (2005).

O dinheiro arrecadado ajudará a construir campos de futebol, e esperanças, para crianças da África, Ásia e América Latina. Pouco importa que o time de Zidane tenha ganho por seis a dois, na segunda-feira, ou que nem ele, nem Ronaldo, tenham marcado.

Também parecia irrelevante para o povo de Marselha que os dois grandes astros e as Nações Unidas tivessem escolhido um dia e horário quase impossíveis para tamanho espetáculo. Todos os jogadores da elite do futebol estão convocados para as seleções de seus países, esta semana, em todos os continentes, e há dezenas de partidas importantes a serem realizadas.

Assim, nem mesmo quando o convite parte de Zidane e Ronaldo seus amigos estão livres a viajar a Marselha por uma boa causa. Os jogadores raramente controlam seus próprios calendários. O processo começa na adolescência, e continua, incansável, até a aposentadoria.

Um exemplo disso está acontecendo na Coréia do Norte e na Coréia do Sul, no momento. De maneira silenciosa, quase secreta, um grupo de jovens jogadores da seleção norte-coreana chegou à ilha de Jeju, a mais meridional ao largo da península coreana, na terça-feira. O propósito é oferecer a eles um campo de treinamento em uma ilha tão obcecada com o futebol que, certa vez, vi monges budistas jogando uma pelada em um gramado diante do tempo local.

Eles não competiam de maneira graciosa. Chutavam não só a bola mas tudo que os cercava. O espírito do jogo se tornou competitivo, para dizer o mínimo. E não havia nada que eles não soubessem sobre Ronaldo e Zidane. Assim, imagino que os mesmos monges estejam agora oferecendo seus serviços aos norte-coreanos, como adversários para os coletivos. E talvez seja tarde demais para alertar a equipe técnica da Coréia do Norte sobre o que os seus jogadores encontrarão em campo.

O propósito do campo de treinamento, em curto prazo, é ajudar a preparar a equipe norte-coreana para o campeonato mundial sub-17 da Fifa, que será realizado em agosto na Coréia do Sul. O objetivo mais distante seria facilitar a unificação das duas Coréias. Separadas por ideologias antagônicas, e ainda tecnicamente segregadas depois que os combates da guerra da Coréia se encerraram, em 1953, os esportes vêm sendo usados como forma de aproximar os duas metades da nação já há quase duas décadas.

Quando a olimpíada de Seul foi realizada, em 1988, a Coréia do Norte era uma sociedade isolada por barreiras militares. Quando a Copa do Mundo de 2002 chegou à Coréia do Sul, só imagens de TV pirateadas mostravam aos norte-coreanos o que eles estavam perdendo. Tudo isso parece distante demais de Zidane e Ronaldo. Mas será, mesmo? As origens de ambos não eram privilegiadas.

Zidane é filho de imigrantes, e seu pai trabalhava como zelador em um bairro pobre de Marselha. Ronaldo foi criado por uma mãe que vendia pizzas para alimentar os filhos, depois que o pai dele, alcoólatra, abandonou a família quando Ronaldo tinha 13 anos. O que divide famílias não é só política mas, como demonstra o jogo promovido pelos dois grandes astros do futebol na segunda-feira, a pobreza.

As duas Coréias se enfrentaram nos gramados, em Seul, depois da copa de 2002. Mas os jovens do norte que agora desfrutam da hospitalidade de Jeju estarão sob guarda cerrada. Caso retornem para o campeonato, em agosto, eles formarão uma das 24 equipes que disputarão o torneio, atraindo 750 mil espectadores que pagarão entre US$ 2 e US$ 7 por partida. Trata-se de um mundo diferente para os norte-coreanos, e nem mesmo seus pais se lembrarão da marcha comunista que dividiu a nação.



Terra

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