Cassilândia, Quarta-feira, 08 de Abril de 2020

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28/02/2020 13:11

Viúva de jornalista assassinado diz que “autoridades estão perdidas”

Campo Grande News

 

Há 16 dias, a acadêmica de Medicina Cinthia González viu o marido, o jornalista brasileiro Leo Veras, ser assassinado com 12 tiros de pistola 9 milímetros. Desde aquele dia, diz que não foi formalmente interrogada pela polícia paraguaia e diz que a “as autoridades estão perdidas” na investigação.

No dia 12 de janeiro, em Pedro Juan Caballero, Cinthia e o pai estavam com Leo Veras, jantando, quando os homens armados e encapuzados invadiram a casa e atiraram no jornalista. Depois disso, estão sob proteção policial, por serem consideradas testemunhas importantes. Porém, apesar desse cuidado, não foram ouvidos na investigação.

"Não me mandaram chamar, não declarei nada, ninguém me chamou, nem a mim ou meu pai”, disse, em entrevista ao Campo Grande News.

No dia 22 de janeiro, dez pessoas foram presas em Pedro Juan Caballero, investigadas pela morte de Veras, sendo três brasileiros, seis paraguaios e um boliviano.

Ela diz que ficou sabendo dos rumos da investigação pelo noticiário, mas questiona a linha adotada pela polícia e o MP (Ministério Público) do Paraguai. “Não estão fazendo como deveria, estão envolvendo pessoas que não tem relação”, disse, mas não especificou qual seria o rumo que deveria ser adotado.

Questionada se a morte do marido teria relação com crime de vingança por parte de integrantes do PCC (Primeiro Comando da Capital), Cinthia comentou apenas que “não saberia dizer”.

Informalmente, na noite da morte do marido, disse à promotoria que ele esteve preocupado algumas semanas antes da execução, mas que não relatou qual seria o problema. No velório, em entrevista a uma rádio, Cinthia contou que Leo não tinha o hábito de falar do trabalho. Somente reforçou que Leo não estava sendo ameaçado.

Porém, lembrou da atuação de Leo na investigação sobrea morte do adolescente Alex Ziole Areco Aquino, 14 anos, assassinado a tiros e que teve corpo esquartejado e queimado.

Horas antes de morrer, Leo recebeu o pai de Alex, Romão Aquino, para falar de abaixo-assinado que cobrava celeridade das autoridades paraguaias na elucidação do caso. No site do jornalista, o Porã News, várias reportagens tratavam do caso e acompanharam os protestos de familiares de Alex.

Somente depois dos protestos é que três pessoas foram acusadas pelo homicídio: o brasileiro Genaro Lopes Martins, a esposa dele, Diana Claves Pimentel Acosta e um adolescente.

A ligação de Genaro Lopes Martins, o “Animal do PCC” com outras duas mortes estariam sendo apuradas por Leo Veras, conforme publicação da Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo): Adolfo Gonçalves Camargo, morto no dia 16 de agosto de 2019 e Roney Fernandes Romeiro, 35 anos, executado no dia 18 de agosto.

Em seu site, Veras informou que policiais investigavam Genaro Lopes Martins, conhecido como Animal do PCC, como executor dessas mortes. Ele teria como uma de suas características torturar as vítimas e esquartejar seus corpos.

Adolfo e Roney teriam sido executados por conta de carregamento de 30 quilos de cocaína do PCC e que foi apreendido pela polícia paraguaia.

Há suspeita de que os traficantes atribuíram às vítimas a responsabilidade pela perda do carregamento. Os dois crimes seguem sem solução. Na 2ª DP de Ponta Porã, onde a execução de Camargo é investigada, o delegado Pedro Guimarães Ramalho, recém-nomeado, mostrou o inquérito à equipe da Abraji. Seis meses após o crime, o inquérito nem sequer tem anexado o laudo da necrópsia. O delegado não soube responder sobre o desaparecimento de Romeiro.

Conforme já apurado pelo Campo Grande News, a morte de Alex e a identificação do paraguaio Ederson Salinas Benitez, 30 anos, o Salinas Riguaçu, fazem parte da linha de investigação da polícia paraguaia, ambos, diretamente conectados com PCC.

Ederson Benitez foi preso após briga de trânsito no dia 19 de janeiro, em Ponta Porã e a descoberta da informação do uso de documento falso teve a colaboração de Leo Veras.

Inicialmente, a Justiça em Ponta Porã havia determinado fiança de R$ 80 mil para liberação de Salinas, já que a informação de que ele seria liderança do PCC não “guarda sequer mínima relação com este tipo de crime”, referindo-se à briga no trânsito.

Rotina – Cinthia tenta, aos poucos, retomar a rotina. Ela é acadêmica do 6º ano de Medicina e pretende começar o período de residência na próxima semana. O site do marido, o Porã News, ainda está em atividade, mas ela diz que “algumas coisas” estão mudando, já que o trabalho investigativo era feito majoritariamente por Leo Veras.

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