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25/03/2004 09:10

Violência, um problema de saúde pública

Paula Menna Barreto/ABr

A violência é a principal causa de morte da população masculina do país. Ao todo, são 120 mil a cada ano. Na faixa dos 5 aos 39 anos, a violência é a principal responsável pelos óbitos. Os homicídios, suicídios e envenenamentos, entre outras causas violentas, ocupam a segunda posição no ranking geral das mortes, com 12% dos casos, só perdendo para as doenças cardíacas. “São índices que só se vêem em situações de guerra”, afirma Edinilsa Ramos de Souza, pesquisadora do Centro Latino-americano de Estudos sobre Violência e Saúde (Claves), da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

Para o país, um custo de aproximadamente R$ 500 milhões gastos com médicos, cirurgias, hospitais, exames e medicamentos. As vítimas da violência do sexo masculino custam aos cofres públicos mais de R$ 320 milhões e as mulheres R$ 142 milhões. O custo médio de atendimento e tratamento para os casos violentos que chega a ser 30% mais alto se comparado com outras causas de internações hospitalares.

Os dados são do Ministério da Saúde e da Fiocuz e apontam ainda o Sudeste como a região que mais gasta com a violência, 47,9% dos custos totais. Além disso, tanto nessa região quanto no sul do país, foram registrados custos médios de internações acima da média nacional. Já as regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, se destacam por terem custos médios baixos.

A partir de informações estatísticas dos hospitais, observa-se que a população masculina apresenta índice de internações hospitalares mais elevado que a feminina. Eles representam aproximadamente 70% do total. Só em São Paulo, os custos de internações masculinas representam 18,5%, enquanto as mulheres apresentam índice de 8,4%.

Todos os indicadores apontam custos altos para o setor da saúde em decorrência da violência. Para o Ministério da Saúde, isso demonstra que a violência já é, por si só, um problema de saúde pública. Para Simone de Assis, pesquisadora da Fiocruz, esses dados são apenas parte da realidade, que pode ser ainda pior. “Os atendimentos em ambulatórios e postos de saúde, por exemplo, não são incluídos nas análises”, completa. “Existem ainda os custos com problemas psicológicos decorrentes da violência”.


Encontro

Para debater, entre outros temas, os prejuízos da violência para o sistema de saúde do país, duas mil pessoas reuniram-se, na semana passada, em Natal, durante um encontro de secretários municipais de saúde. O evento, intitulado I Congresso Brasileiro de Saúde, Cultura de Paz e Não Violência, foi uma iniciativa da parceria entre governo, organismos internacionais e entidades não-governamentais.

“Nenhum setor, separadamente, consegue resolver o problema da violência. Tem de haver um trabalho conjunto”, conclui a pesquisadora Edinilsa Ramos de Souza, que participou do encontro. Ela acredita que o governo, setores de segurança pública, saúde, educação, o setor privado e a sociedade em geral devam ser os responsáveis pela mudança dessa cultura.

A pesquisadora disse ainda que o tema já é trabalhado há muito tempo, mas só agora o Ministério da Saúde está incorporando a questão da violência nas políticas de saúde. “A política já existe, mas ainda não se sabe como organizar, estruturar o sistema para ter informações precisas por parte dos hospitais”, diz. “Um plano de atuação deve ser implantado ainda esse ano”, acredita a pesquisadora.

Edinilsa explica que é muito difícil ter um retrato fiel do custo da violência para a área da saúde porque não existe sistematização nas informações repassadas pelos hospitais. “Em alguns casos, um espancamento contra uma criança, por exemplo, é registrado como um simples braço quebrado”, relata.

O custo das internações hospitalares por causas violentas entre crianças de 0 a 14 anos, em 2003, foi de mais de R$ 65 milhões. Em 2001, quase oito mil crianças morreram em virtude da violência. Nos registros, as agressões são maioria.



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