Cassilândia, Quarta-feira, 07 de Dezembro de 2016

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06/06/2014 11:00

Utopías & Raposas & Lúdio

Manoel Afonso
Utopías & Raposas & Lúdio

‘DINHEIRO’ Sem ele candidatura não cresce, deixa o candidato espremido, de saia justa. Já pensou quanto custa uma campanha presidencial? Impensável. Já sobre os custos da campanha local a gente ouve hipóteses bem condimentadas.


HIPOCRISIAS Elas não faltam quando se trata das contas de campanha. Enquanto se discute mudanças na lei o esquema funciona debaixo dos panos. Uma relação natural: quem dá alguma coisa está pretendendo algo em troca no futuro. Ou não?


EXEMPLOS Lúdio Coelho, pelas circunstâncias e condições pessoais, foi o único que gastava do próprio bolso e não fazia segredo disso aos mais íntimos. Já Flávio Derzi não hesitava em afirmar: “não misturo dinheiro pessoal com política”.


FUGA GERAL Candidato derrotado ganha só o consolo dos companheiros, mas isso não paga dívidas. Em toda eleição o fato se repete, gerando situações constrangedoras. É o pedágio que se paga pelo sonho de poder que não se materializou.


ALERTA Nossos 3 candidatos que se cuidem, não se fiem nas fantasiosas promessas de ajuda da direção nacional de seus partidos. O dinheiro destinado é proporcional a importância do nosso (minúsculo) colégio eleitoral. Sem grandes ilusões.


MEMÓRIA Quando o gerente mandava e tínhamos o Bemat,o Financial e depois o Bamerindus, os candidatos tinham chances de arrumar dinheiro fácil. Mas hoje, com esse sistema bancário cruel, só restariam os poucos agiotas na praça.


BEMAT Era a mãe dos políticos, especialmente para os deputados. Quem tinha carta branca com o governo tinha meio caminho andado para assinar uma promissória e levar o dinheiro na certeza de que no vencimento haveria renovação 100%.


FRUSTRAÇÃO Na criação do MS a classe política queria a criação do banco estadual para usufruir de vantagens. Mas as experiências amargas do Bemat e similares no país felizmente prevaleceram. Já imaginaram o tamanho do rombo evitado?

 


DOIS TURNOS Essa inovação no sistema eleitoral tem duas implicações: a questão do discurso no 1º turno para facilitar alianças futuras e o aspecto financeiro para uma nova campanha, mais pungente face as circunstâncias naturais do momento.


DEFINIÇÕES Será que as visitas de Eduardo e Aécio irão antecipá-las por conta de possível influência da sucessão nacional? Discurso de presidenciável em visita é igual assistir filme pela segunda vez: a gente já conhece , é meio sem graça.


‘O JEITINHO’ Propaganda oficial só a partir de 6 de julho, mas o pessoal usa as redes sociais para criticar adversários, fazer autoelogios, promessas de campanha e conquistar seguidores e cativar eleitores. Enfim: uma verdadeira batalha virtual.


ANTECIPACÃO Ocorreu exatamente pelo excesso de rigidez da legislação que ditou prazos e normas quase impossíveis de serem controlados no mundo virtual. A internet poderá até não ser decisiva no pleito, mas terá influência considerável.


DECISIVO mesmo – em todos os níveis – será um candidato excelente que dispor de um tempo razoável para se comunicar tanto na televisão (horário eleitoral/entrevistas) e na internet. Quem tiver melhor poder de convencimento terá chance maior.


AÉCIO/EDUARDO Origens/formação distintas: Aécio é neto de Tancredo e Eduardo de Arraes. Estiveram juntos nas ‘Diretas’ e foram opostos nos Governos de FHC e Lula. Chegaram ao poder pregando a renovação e agora defendem um projeto novo.


A DÚVIDA: Conseguirão unir o país sem se entregar de alguma forma aos partidos fisiológicos patrimonialistas e às velhas lideranças? A ladainha de Lula era a mesma, mas para conseguir governar fez composições de fechar o comércio.


‘RAPOSAS’ Como viabilizar um projeto sem a presença delas? Justiça seja feita elas estão presentes nas comitivas de Dilma, Aécio e Eduardo. No caso dos dois últimos, apesar do discurso da renovação, há chancela expressa de velhas figuras.


A PROPÓSITO Como criticar Pedro Simon e Jarbas Vasconcelos – abonadores de Eduardo Campos – mesmo sendo aprovados nas eleições em seus Estados, só pelo fato de não terem começado ontem? Experiência conta muito sim senhor!


EXEMPLO Aos 84 anos, no 4º mandato de senador, Simon é o exemplo vivo do político por vocação. Começou em 1958 na Câmara de Caxias do Sul e não parou mais. Percebi em seus olhos o brilho pelo prazer de estar ali fazendo o que gosta.


UTOPIA É essa magia da promessa que produz esse doce gostoso da ilusão que o povo tanto aprecia. Fazer política sem ser político é como um amputado dançar balé. Cada qual no seu quadrado. E a situação piora quando se tratar de administrar.


EXEMPLOS Um bom médico no ministério da saúde, sem dinheiro, não vinga. Um grande empresário (José Alencar) como Ministro da Defesa (2004-2006) é vexatório. Um general que jamais distribuiu afagos ao povo, não consegue agradar.


OLHARES Se o tecnocrata tem a visão de uma situação sob medida, sem se deixar influenciar por fatores/circunstâncias, o político tem o seu ângulo de visão mais abrangente, captando e agregando valores de ordem sociológica.


ARREMATE Olhando para os ministérios de Tancredo/Sarney, FHC, Lula e Dilma, vemos ‘figurinhas carimbadas’ que ajudaram a dar sustentabilidade política fazendo a ponte entre governo e a sociedade. Quer queira, ou não, funciona assim.


“Ser presidente não muda você; ser presidente revela você”. (Michelle Obama)

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